Colunas

Deus nos Louvre

O Museu do Louvre, na França, está abrindo seus olhos para o mercado mundial. Através da figura de seu diretor, Henri Loyrette, tem realizado …

O Museu do Louvre, na França, está abrindo seus olhos para o mercado mundial. Através da figura de seu diretor, Henri Loyrette, tem realizado ações consideradas incríveis por uns, péssimas por outros. O fato é que o museu está se aproximando mais da comunidade.

Por exemplo: o Louvre assinou um contrato para criar uma filial em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes. Porém, não será uma filial no sentido exato da palavra. Será uma operação que levará, sim, o nome Louvre, e que contará com coleções francesas de vários museus. Este acordo rendeu aos cofres do Museu do Louvre U$ 900 milhões. Em tempos de dólar em alta, quem não gostaria de fazer um negócio destes?

Ocorre que há uma turma que não está satisfeita com tamanha abertura do museu. Não querem que o museu abrigue “qualquer” obra e tampouco que as obras do museu fiquem rodando por aí. Ou seja, é a turma do veludo vermelho que quer que a cultura e o refinamento fiquem só para si. Não querem que, como diz Elio Gaspari, a patuléia se aproxime da elite. Não sou como muitos que acham que qualquer coisa é cultura. Não mesmo. Mas acho que as manifestações, sejam elas culturais ou não, devem ser respeitadas e, na medida do possível, promovidas, estimuladas.

Sem um mínimo de organização, não se chega a lugar nenhum. Portanto, toda e qualquer ação envolvendo um museu do porte e história do Museu do Louvre deve ser, evidentemente, muito organizada e criteriosa. Mas, vamos lá: chega de ranço, gente! Chega de achar que cultura está restrita a determinados ambientes. O professor Cláudio Moreno já diz, por onde anda, que a língua portuguesa vai sendo modificada a partir de elementos do português “falado”. Nas ruas, nos bares. E, certamente, está sendo impactada pelo português(se podemos chamar assim, mas vá lá) falado na Internet. A cultura vai sendo modificada segundo a segundo, ainda mais com a velocidade de comunicação que temos hoje.

Mas voltando à vaca fria, o fato é que o Museu do Louvre e qualquer outro museu não deve ser entendido como um lugar inacessível. Deve, sim, ser visto como um santuário da arte, mas no sentido de ser um lugar onde a arte é protegida e cuidada, mas jamais como um lugar para poucos. Já que a Internet esculhambou geral com a comunicação, tornando-a infinitamente mais democrática, que se faça o mesmo com a arte, com os museus, com o mundo: vamos experimentar uma Torre de Babel nos dias de hoje? Muitos dizem que já a estamos experimentando. Eu, do meu lado, acho que não. E você?

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.