E o verão se foi, registrando uma não invasão argentina que afetou negativamente Santa Catarina e em especial Florianópolis. Altas expectativas foram criadas no final do ano, com a projeção inicial de que o Estado receberia uma multidão formada por 3,5 milhões de turistas. Previsões otimistas alimentaram a ganância generalizada, levando a uma disparada dos preços tanto nas locações temporárias via plataformas digitais como nos simplórios lanches e aluguel de guardas-sois e cadeiras na beira da praia.
O resultado é que, em vez dos altos lucros desejados, o clima no encerramento do verão é literalmente de fim de festa, com queixas generalizadas. A unidade catarinense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes identificou que 67% deste tipo de estabelecimentos não tiveram lucro no período pesquisado, entre primeiro de janeiro e 17 de fevereiro. Mais: 55% dos empresários viram queda no fluxo de clientes em relação ao verão de 2025. A Abrasel SC classificou o cenário como uma “recessão silenciosa”. Os “culpados” apontados foram a crise econômica na Argentina e uma inesperada valorização do real.
Menos mal que não é só de argentinos que vive o verão catarina. Tem uruguaios, paraguaios e um surpreendente interesse de chilenos. O que indica que é conveniente o setor de turismo voltar suas lentes também para estes outros países, em vez de centrar toda a força nos hermanos portenhos.
Outra notícia desapontadora é que não há nenhum hospital catarinense na relação dos 120 melhores hospitais brasileiros, segundo levantamento do World ‘s Best Hospitals 2026. O estudo é conduzido pela Newsweek e considerado o principal levantamento internacional de excelência hospitalar. No ranking brasileiro, São Paulo entra com a maioria, seguido pelo Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Os demais estados não figuram no ranking.
Para contemplar a curiosidade: o melhor do mundo é o Mayo Clinic, em Rochester, nos Estados Unidos, e o melhor brasileiro é o Einstein Hospital Israelita, que no mundo está na 16ª posição. O melhor gaúcho não surpreende, é o Moinhos de Vento, quarto no país e 111º no mundo.
Ah, e cheguei a tudo isso ao receber um release do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, distribuindo seu orgulho por estar entre os 100 melhores do Brasil.
Florianópolis ainda não conseguiu ter algum representante neste índice hospitalar, mas detém um primeiro lugar do qual não pode se orgulhar: desde 1º de janeiro, tem a tarifa de transporte público urbano mais cara entre as capitais brasileiras. Para entrar em um coletivo de uma frota antiga e que quase não tem ar condicionado, o vivente precisa pagar R$ 7,70. E com um adicional cruel, no ônibus não é possível pagar em dinheiro. Mesmo os turistas são tratados de forma hostil ao se verem obrigados a adquirir um cartão para entrar no coletivo.
O Procon de Florianópolis resolveu trabalhar e no início da semana saiu a fiscalizar os preços dos combustíveis nos postos. Estava na hora, pois tudo indica que a composição dos valores na capital catarinense embute mistérios que o leigo desconhece. Desde dezembro de 2022 a Petrobras vem reduzindo o valor da gasolina nas refinarias. E houve uma queda nominal de 16,4% desde então, situação que não aliviou os consumidores. Pois na semana passada, antes da ação do Procon, havia piorado o que já era ruim. Na segunda-feira, a gasolina custava 6,79 o litro no bairro Campeche e região. Sim, um mesmo valor praticado por uma dezena de postos. Na terça-feira, todos amanheceram com o valor de 6,89 nas bombas. Por que, se o fornecedor não alterou valor nenhum? O modo cartel explica.
Com tudo isso a coluna de hoje soa amarga e muito pessimista, mas o quê fazer se as coisas andam neste ritmo? Tem mais uma destas constatações infelizes. Para estimular o mau humor do cidadão em Floripa, quase todas as redes de supermercados terceirizaram os trabalhadores nos caixas. E estes só se limitam a passar as mercadorias pelo sensor, informar o valor final e perguntar se o pagamento será por aproximação ou com cartão de inserir. Ajudar o cliente a embalar produtos, nem pensar! Acredite, ficam de braços cruzados enquanto o cliente se desdobra entre tentar abrir os malditos saquinhos plásticos e socar os produtos pra dentro. Quem foi mimado uma vida toda pelo Zaffari, estranha. Estranha muito.


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