Desde os tempos do Império a charge foi um integrante de primeiro escalão no contexto jornalístico, continuou valorizada na República, mas foi violentamente sufocada, literalmente censurada durante a ditadura militar. No jornalismo gaúcho do século passado tivemos alguns chargistas de alto nível, pelos quais esperávamos ansiosamente seus trabalhos. Posso cometer o erro da falha de memória por não citar todos, mas não posso me furtar a valorizar alguns como Sampaulo, Ronaldo Westermann, Edgar Vasques, Tacho, Santiago, Marco Aurélio, Rekern, Moa, Iotti… Dava gosto ver seus trabalhados, muitos deles premiados internacionalmente.
A pergunta é (sempre há uma pergunta): a charge perdeu espaço nos jornais e revistas? E se perdeu, quais os motivos? Será que a nova geração de leitores não se interessa por este tipo de comunicação? Será que a mídia digital exige uma nova sincronia entre o perfil do chargista e o veículo? Também confesso minha falta de informação sobre novos talentos nessa área e por isso é difícil quantificar o valor da charge no jornalismo moderno.
Em alguns veículos a charge continua com uma localização nobre, geralmente nas primeiras páginas ou junto a editoriais ou cartas/emails (e o escambau nas formas de comunicação). Quando me refiro à (re) valorização da charge, também quero me remeter ao conceito do chargista que é, fundamentalmente, um artista. Os irmãos Caruso, por exemplo, são personagens de alto conceito nesse cenário. Mas aos poucos o talento destes companheiros de trabalho passou a ficar relegado a um segundo plano. É preciso fazer algo para recolocar a charge no seu lugar devido, o pódio da comunicação, junto com o texto e a foto.
O que fazer para trazer o tema para o debate e valorizar essa atividade? Talvez uma das nossas entidades, ARI, sindicatos, associações, faculdades etc, pudessem organizar um evento reunindo grandes nomes gaúchos, outros nacionais e até vizinhos internacionais do Uruguai, Argentina, Paraguai, para debater esta questão. Uma exposição, quem sabe. Mas é fundamental discutir outro tema: A charge jornalística em tempos de mídia digital. Que tal, seria um bom foco?
Em tempo: o chargista não é formado em escola de jornalismo, embora seja, um jornalista de plantão, atento a tudo e a todos para, depois de um “brain storm”, colocar no papel/tela uma imagem que capta e sintetiza em poucos traços o humor, a tristeza, a alegria, a indignação, a esperança ou outro sentimento do leitor/espectador.
A charge vive! Viva a charge! (Re)Viva a charge!

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