Fazer uma carreira na comunicação, mais direcionada para assessoria e não para a redação de veículos, é passar por diferentes fases e experiências, sabendo agregar cada uma delas como um tijolinho do caminho a ser seguido. Tudo começa a saber curtir o papel de ser estagiário, de não querer se comparar a quem está na lida há mais tempo, da atribuição que cabe a cada um que compõe a equipe.
Lembro bem quando cheguei no meu primeiro emprego, no alto dos meus 18 anos e cursando o 3º semestre de jornalismo. Na época, a clipagem era manual, tínhamos que ler os principais jornais do início ao fim antes de recortar, colar na folha identificada e então passar adiante até chegar na chefia. Para alguns, era algo braçal. Ouvia pelos corredores quem reclamasse: – tô pagando faculdade para fazer trabalho de pré-escola. Eu talvez na época não tenha me dado conta, mas hoje, ao olhar para trás, vejo que este início foi o que me fez entender o papel dos colunistas, as editorias identificadas no canto das páginas, os autores dos textos, o crédito dos fotógrafos, o título, a linha de apoio, o lead, o olho…e tantas outras coisas que o jornalismo imprime em suas páginas. A gente aprende a ler jornal, lendo. A ouvir rádio, ouvindo. É colocar a mão na massa, com a cabeça aberta e a mente disposta a evoluir.
O interesse pelo aprendizado, o olhar apurado dos processos, a sorte de ter colegas que somam e a ambição de se diferenciar são premissas para a formação de bons profissionais. Desde os que se dedicam para o operacional até os que trabalham mais com a estratégia. São atribuições distintas, mas fundamentais, pois todo bom comunicador deve saber transitar, mesmo tendo a sua área de preferência. Nosso trabalho é muitas vezes chamado de imensurável, pois o alcance do resultado de tamanha construção é muito além do que o clipping entrega.
Que formas são essas de fazer comunicação? Que ganhos todos têm com o envolvimento do profissional em todo o processo? Como uma boa metida que sou, costumo estar onde nem fui chamada algumas vezes. O intuito é de estar por dentro da concepção da pauta, quando ela ainda é uma simples ideia, muito antes de se tornar ação. É criar a estratégia, desenhar (mentalmente, muitas vezes) o caminho para isso. Por onde ir, com quem falar, sobre o falar, de que forma abordar. O que é informação, o que soma, o que agrega. Lembrando que o que é desnecessário também precisa ser pensado. A trajetória da notícia vai muito além do que um texto pronto enviado por e-mail. Começa que eu quase não uso e-mail e prefiro uma boa conversa do que uma nota engessada. O relacionamento se cria assim, a confiança se estabelece e comunicar se torna um estilo de vida e não um processo de trabalho.


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