Colunas

Empresas curadoras

Por Flavio Paiva

Eu conversava com um amigo quando estabelecemos o debate sobre se as empresas atuam hoje em dia como curadoras ou não. Venceu o sim. Porque mais que empresas queiram fazer entregas, seja de experiência, produto, ou conveniência, da melhor forma possível para clientes e leads, elas hoje servem como referência do que devemos ou não consumir.

Além do papel importante que têm na sociedade, como inclusivas e participativas, em função de tudo o que dispomos em termos de tecnologia, elas nos aprendem cada vez mais, além de aprenderem não só com nossas escolhas, mas também com nossas prováveis tendências. Algoritmos e IA são poderosíssimas ferramentas nesse sentido. Muitas vezes, como se diz por aí, sabem mais sobre nós do que nós mesmos, o que aí abriria um novo debate, já em curso.

Com a avalanche progressiva de dados e informações, é claro que estamos tontos de tanta informação e, principalmente, sem tempo para processá-la. Naturalmente escolhemos nossos curadores, sejam pensadores, empresários, veículos de comunicação, editoras. O que for. São nossos curadores podcasts (claro que não eles, mas aqueles que os produzem), que entram nos poucos espaços de tempo que temos, abastecendo-nos de conteúdo, mas mais do que isso, seleção. Estas são nossas escolhas.

Porém, as empresas acabam por fazer papel parecido, justamente a partir de dados, escolhas, preferências que vamos deixando pelo caminho. Assim, as mais óbvias são as de streaming de música, de filmes. Mas vai bem além disso. Sugestões de consumo, de produtos, de lugares, acabam por ser uma curadoria em que vamos na onda.

E vamos nessa porque as empresas precisam que nós continuemos a consumir seus produtos e serviços, óbvio. Mas, principalmente, porque as sugestões e indicações estão cada vez mais certas ou, o que é ainda melhor, surpreendentes. Apresentando aquilo que não estávamos buscando e que foi uma indicação perfeita. Uma curadoria.

Agiganta-se dessa forma o papel e a responsabilidade das empresas, que têm que, a todo custo, saber operar na faixa ética e, ao mesmo tempo, surpreender e como resultado, obter lucro. Com consumidores mais surpresos, mais felizes, a partir do inesperado que era, de fato, algo que aprenderamv(as empresas) mais do que nós mesmos. Como eu disse, mantida uma relação ética, de respeito e responsabilidade, são curadoras poderosas e de grande valor para os clientes.

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.