De repente, não mais que de repente, descobrimos que voar, nos céus deste Brasil, é o ato mais perigoso que podemos cometer. E, ironia das ironias, sabemos disso justo quando Santos Dumont é tão incensado por sua contribuição fundamental à história da aviação. Agora, é um tal de revelação de causos de quase colisão aérea, de pontos cegos no radar, de controladores de vôo absolutamente descontrolados (o trocadilho estava pedindo passagem, desculpem!!) e outros itens da lista, que todos os de bom senso, com certeza, estão trocando as passagens aéreas por lugar em navios e, quem sabe, diligências.
Não nego a importância de noticiar para descobrir mistérios e contribuir para que as coisas melhores se imponham. A crítica saudável, este mito, ainda é o melhor caminho para dar uma clareada na cabeça das pessoas. Só não suporto mais este tom de escândalo que vem embalando cada nota em especial televisiva.
O trauma que se seguiu à queda do avião sobre a Amazônia não vai ser exorcizado assim no más. Vamos continuar lembrando disso através de nossos netos e bisnetos. Não fosse, também, a insistência das mídias, e teríamos mais um caso encerrado com esclarecimentos burocráticos. Não foi o que aconteceu: ninguém envolvido foi poupado e o tema não saiu de pauta, como de costume, substituído por outros mais pontuais.
Deve, porém, estar havendo um desaquecimento natural do fato enquanto notícia e um conseqüente “requentamento” com propósitos louváveis de evitar que outro horror ocorra. Tudo correto até aí. Não considero bom, no entanto, o clima de pânico que está permeando, ao estilo da imprensa sensacionalista da literatura B, este constante “debate” que acompanhamos pela telinha, diariamente e também pelas revistas em particular.
Duvido que aqueles que têm de embarcar ou estão embarcando algum familiar ou amigo não fiquem alguns decibéis mais preocupados que o de costume em salas de espera de aeroportos depois deste constante metralhar de notícias sobre os perigos do céu que nos envolve. Mais que a fatalidade, não seria melhor colocar como pauta principal a ineficácia do governo federal em resolver o impasse com os controladores que gera os atrasos dos vôos e, como se faz crer, os riscos de acidentes?
Também ando espantada e triste com o que se fez com a menina encontrada morta no motel com o músico,
