Bernardo Mello Franco, na Folha de S. Paulo: “Um deputado do PSDB, Izalci Ferreira, (…) explicou que o governo tem usado professores e livros didáticos para pregar o homossexualismo e “transformar o Brasil na Venezuela”. Perguntei que ideologia o preocupava tanto. “Não sei se é comunista, anarquista ou socialista. É uma mistura”, ele respondeu, antes de citar a sobrinha de 5 anos como vítima da doutrinação. “Outro dia, ela pegou um livro para colorir e estava cheio de estrelinhas. Quando vi, ela tinha colorido todas de vermelho”, contou o tucano, dizendo-se indignado”.
Pois eu fui ao zoológico esses dias e vi um tucano num viveiro. Não tive dúvidas: o administrador deve ser petista. A prisão da ave era claramente uma indireta ao que chamam seletividade de nossa justiça. Quanto mau gosto.
Acho que a sociedade de proteção dos animais devia intervir. Além de preso, o bicho certamente está passando por uma lavagem cerebral pra se tornar homossexual. Imagina o estrago pro partido se o tucano vira um ícone como a do veado. O FHC é que está certo, devemos trocar o tucano por um pavão.
Parabenizo o deputado Izalci Ferreira. Ele foi o primeiro a perceber que a pregação homossexual é o primeiro passo pra transformar o Brasil numa Venezuela. Que percepção tem esse cara! Que agudeza! Ele não se deixou enganar pela pose de machistas empedernidos dos latinos. Ao fim e ao cabo, o bolivarismo também é isso, desmunhecar.
Anotem aí: logo as estrelinhas vermelhas serão cor-de-rosa. Aí só nos restará pedir a intervenção divina. Que venham o fogo e o enxofre!
Viram no que deu a gente ter saído da Idade Média?
Estrelinhas verde-oliva
Essas estrelinhas pra colorir me lembraram de uma historinha contada pelo Ayrton Centeno no revelador Os vencedores (editora Geração), que recomendo: “Em 1965, ao estrear a peça Electra em São Paulo, agentes da polícia política compareceram ao teatro com a firme decisão de prender o autor por subversão. Incrédulos, ouviram que Sófocles habitava outro plano desde 406 a. C.”.
Como se vê, não é de hoje que esse país é patético.
Graça infinita
Lendo a primeira página do romance de David Foster Wallace, sabe-se por que ele tem 1144 páginas.
Dicionário do mau digitador
Apernas. Ora, como tem o tipo Raimunda, tem o tipo que só é boa de pernas.
Diariamante. Esposa muito querida.
Teatro Oficina
Pra dar um fim no juízo de Deus, peça radiofônica de Artaud, é remontada por Zé Celso Martinez. O ator Pascoal da Conceição defeca em cena e depois sua bosta é elevada como uma hóstia. O mais ridículo nisso tudo, me parece, é que Zé Celso pensa que é chocante.
PS a quem interessar possa
Quando a gente não tem o que dizer, não adianta ser veemente.
Deu na BBC
“Ele disse que o surgimento do vídeo o deu coragem para prestar queixa na polícia.” Frases como essa não lhe dão vontade de gritar, acovardado? A mim, sim, porque tenho visto muitas outras com o mesmo erro ou com outros do mesmo nível. O mais patético é que muitos dos autores dessas frases escrevem matérias irônicas sobre a ignorância demonstrada pelos alunos nas redações do Enem.
Deu no UOL
Jorge Corrêa, repórter esportivo: “Mas o que está mais o tirando do prumo do brasileiro são as críticas”. Incrível, seu Jorge conseguiu uma proeza: escrever uma frase totalmente errada. Como dizia o Mario Quintana, erram de um modo tão complicado que seria mais fácil escrever certo.
Vamos por partes.
Não soa muito melhor “mas o que mais o está tirando do prumo”? Na mesma matéria há várias derrapadas iguais. Quer dizer, não se trata de acaso.
Agora, tirar “do prumo do brasileiro” não é uma questão de ouvido. Talvez, se Jorge Corrêa consultasse um dicionário pra ter um mínimo de noção do significado das palavras e expressões, a frase ficasse algo como “Mas o que mais está fazendo o brasileiro perder o prumo são as críticas”.
O que mais está fazendo o jornalismo brasileiro perder o prumo, além da canalhice de sempre, é o diplomado incapaz de ler o que está escrito no próprio diploma.

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