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Eu, no casamento real

Não. Não consegui estar acordada às 5 da manhã deste dia 29 de abril de 2011 para ver William tornar Kate uma duquesa e, …

Não. Não consegui estar acordada às 5 da manhã deste dia 29 de abril de 2011 para ver William tornar Kate uma duquesa e, quiçá, uma rainha, mais adiante. Eu fiquei lendo, até 4 e meia, o copião de um relato de viagem a três cidades perto do céu, na Caxemira, na índia e no Nepal e, como eu amo viajar, mesmo que por tabela, li inteiro este livro que será lançado em breve.

Quando eu era criancinha, lá na Vila do IAPI, eu lia uma revista chamada Príncipe Valente. Quer dizer, lia quando meu pai liberava um troco para eu ir, junto com minha mãe, até a banca da Volta do Guerino para sair com esta preciosidade nas minhas mãos de menina suburbana e pobre. Quando não tinha dimdim pra comprar revistas – e havia uma que eu juro que se chamava Princesinha, mas era em HQ também , mas não achei no Uncle Google, só uma outra, da Ebal – , eu tinha de me contentar em ler as histórias do TIM TIM, no Suplemento Infantil do Correio do Povo,  onde, aliás, minha mãe me ensinou a ler.

Sem falar naquele volume lindo, da Enciclopédia O Mundo da Criança, que, na biblioteca do Grupo Escolar Gonçalves Dias, era a maior dificuldade de estar livre, porque abordava justamente as histórias de fadas, bruxas, príncipes e princesas de todos os tempos até aquela época. Hoje, é outro babado. Mas na época, era o máximo. Então, minha relação com a realeza vem de muito tempo, nesta encarnação. Gosto que me enrosco de toda esta jequice, como diz meu amigo e dindo Flávio Dutra, embora nunca tenha sonhado em ser uma rainha, nem da corte porque, com certeza, em uma das minhas encarnações anteriores, fiz parte desta forma de sociedade.

É divertido assistir a uma transmissão de um casamento real, ainda mais se este rito for na Inglaterra, terra de todos os contrastes, da formalidade mais absoluta a um Sex Pistols e a uma Vivienne Westwood. E a Globonews deu, realmente, um banho de cobertura, o que, afinal, não é mais que sua obrigação como canal pago de notícias com equipamento, gente e dinheiro suficientes para fazer um trabalho bem feito. E isso é um elogio.

Quando a encolhida Diana se casou com o orelhudo Charles, não havia toda esta parafernália virtual que hoje nos enfia na cena do crime de imediato. E, sejamos francos, não havia também o flagrômetro de hoje em relação a bom-gosto – aquele vestido com manga bufante da noiva hoje me arrepia de horror. E tudo isso que falo, toda a liberdade de criticar ou elogiar o grande teatro do casamento entre plebéia e nobre, se deve, também, às condições midiáticas que a tecnologia criou. Quem se plugou na televisão ou na internet, nesta sexta-feira, esteve, sim, participando de todas as ações que tornaram o dentuço Will e a anoréxica Kate marido e mulher.

O contrato, que só os ingênuos ou cínicos juram ter sido romanticamente selado sem o dedo da Rainha e seu serviço secreto, um amor fruto apenas da tesão de dois jovens, ainda vai render muito pano pra muitas mangas. E muita grana pro cofrinho da real família e seu reino. Bom para todos. E, sinceramente, espero que esta animada comédia romântica tenha aquele final feliz que eu lia nas historinhas de príncipes e princesas da minha já distante infância e também nos filmes que a Disney criou, a partir de contos universais, para a gente nunca mais esquecer.

Kate é um pouco de Branca de Neve (com aquela atual sogra espantalho, a Dama do OB), um pouco Cinderela (rica, pero sem sangue nobre), um pouco Bela Adormecida (que, quando brigou com Will, chegou a jogar pela janela a oportunidade de cair de boca em todos estes títulos e mordomias), um pouco até de Fiona, já que terminou salva de algum boyzinho cheio da grana do círculo de papai por um cara que foi belíssimo mas está ficando parecidíssimo com papai rápido demais e tem aquele olhar falsamente tímido de mamãe, o que me incomoda muito.

E que continue o espetáculo. Que venham os willzinhos e katezinhas em seguida e que não pinte uma Camila na vida deles, tampouco um túnel horroroso, como o que levou Diana, numa noite de 1997. Boa sorte aos noivos.

Autor

Maristela Bairros

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