Vivemos uma fase em que estamos todos ansiosos para ver: ver o fim da pandemia ou o encaminhamento da questão da vacina e resultados melhores. Ver um desempenho positivo em termos de renda e emprego. Ver as pessoas voltarem(aquelas que perderam) a ter uma saúde mental mais positiva. Enfim, queremos chegar logo no fim da história, ao menos dessa história.
Mas se formos pensar, sempre estamos ansiosos pra ver. Quando somos crianças, queremos ver como é sermos adultos. Se somos estudantes, querermos ver como vai ser na faculdade. Depois, no mercado de trabalho, depois no casamentos, depois com filhos e por aí vai. A história de que a grama do vizinho é tal é nesse sentido. Queremos ver como é, não nos satisfaz o que estamos vendo , vivendo.
No hay camino, como disse o sábio. Ele se faz, se modifica, melhora e piora, acelera ou anda mais devagar, é sozinho ou com outras pessoas, é ensolarado ou chuvoso. Varia demais. Podemos, é óbvio, controlar ou agora de forma mais consistente sobre algumas variáveis. Mas a verdade é que a vida, se olharmos pra trás quando estivermos mais para o fim dela(ou nem tanto, pode ser a minha idade mesmo), veremos quanta volta ela deu. Quanta coisa imprevista, boa ou ruim, aconteceu. Como achávamos que estávamos no controle mas não estávamos. E como deixamos de dar atenção a coisas que deveríamos ter dado e poderíamos ter agido sobre, mas fomos desatentos ou negligentes. Chega um momento da vida que o que vemos pelo espelho retrovisor já é um trecho de uma parte da estrada. E em tristeza, porque ao menos pra mim, não é o caso. Mas sim de um aprendizado, de reflexões e até insights muito ricos e interessantes.
Não é preciso esperar chegar aos 54 pra fazer isso e recomendo que se faça de preferência com qualquer idade. Mas é meio natural que essa olhada pelo retrovisor com mais profundidade comece a acontecer mais a partir de um idade. Aí, é preciso tirar o tanto de bom que tem nisso. Procurar não mergulhar na tristeza do “ah, eu não deveria ter feito isso….” e sim olhar com verdade, com atenção, com perspectiva e sim, olhar também pra o futuro com essa bagagem de aprendizado. Levar essa mochila do aprendizados, que se forem aprendizados não vai ser pesada, nas costas, para lançar mão dela sempre que preciso.
São como óculos de realidade virtuL, mas esses são de realidade real. Aproveite.


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