Vejo aqui e ali entrevistas e opiniões sobre o fim dos cinemas com o aumento da venda de home theaters e até de minissalas de cinema nas residências. Os defensores desta opinião dizem que, uma vez que as pessoas tenham qualidade na exibição (imagem, som) e conforto para assistirem a seus filmes preferidos em casa (entra aí a comodidade), o farão.
Pois eu vou discordar veementemente desta opinião, como cinéfilo. O cinema não é só uma sala de exibição. O cinema é uma experiência. É o cafezinho antes da sessão, com troca de ideias. Durante, é a pipoca, a água mineral/refrigerante, as balas. Depois, encontrar o lugar marcado, acomodar-se e aguardar, naquela expectativa não só do filme que vai ser exibido, mas dos trailers dos que chegarão (aí a gente já fica na espera de quando entrarão em cartaz). É estar do lado da pessoa amada, numa proximidade que só o escurinho do cinema proporciona. Ou estar com os amigos. Além disso, por melhor que sejam as instalações em casa, é impossível competir com o som e a imagem de uma sala de cinema. São imbatíveis. Como é imbatível competir com a saída do cinema, após o filme, com ele rodando na cabeça. Depois, o bate-papo em um restaurante ou bar sobre o filme, as viagens que ele nos proporciona, mesmo sem sairmos da poltrona.
Então, que me perdoem aqueles que trazem os números, que aumenta a venda de home theater. Até admito que vai haver uma parcela do público que hoje frequenta os cinemas que vai ficar em casa, vendo seu filme. Estes são comodistas. Mas quem curte a experiência mágica do cinema não vai deixar de ver o filme numa sala de exibição. Não só pela sala de cinema, mas pela experiência envolvida. Parecido com comprar livros pela Amazon (que funciona muito bem, sem dúvida) ou ir até uma livraria e ficar um tempo revirando novidades, lendo orelhas de livros, até finalmente comprar o livro que se deseja. Ainda somos seres humanos, apesar de, muitas vezes, nos esquecermos disso. E, como seres humanos, o que nos envolve e seduz são as experiências.

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