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Faz bem ver, faz bem ouvir

Prêmios, normalmente, são o reconhecimento de alguma coisa muito bem feita por alguém muito competente. Claro que há exceções, ainda mais se sabendo que …

Prêmios, normalmente, são o reconhecimento de alguma coisa muito bem feita por alguém muito competente. Claro que há exceções, ainda mais se sabendo que quem julga são pessoas. Já fiz parte de muito júri e sei o quanto é difícil escolher e agüentar, depois, as reclamações de quem se sente injustiçado ou, pior, de quem ganhou, mas achou que não era bem aquela premiação que deveria ter ganhado, que tinha se saído melhor em outro item e tal. Esta semana, houve a entrega do respeitado Prêmio ARI de Jornalismo que, a estas alturas do campeonato, deveria se chamar de Comunicação, por sua abrangência. Mas isso é ranço meu. O que importa é que a TVE e a FM Cultura da Fundação Cultural Piratini ganharam três prêmios e três menções honrosas, o que não só traduz justiça mas também reconhecimento de que jornalismo bem feito supera qualquer obstáculo.

Todos sabem que televisão não-comercial, no Brasil, sofre. Diferentemente das emissoras públicas de países europeus, que formam redes sólidas e contam com aporte financeiro que dá e sobra para o gasto, por aqui tudo é difícil. Num Estado que luta diariamente para se equilibrar financeiramente, mesmo uma fundação que, teoricamente, teria mais possibilidade de captar recursos, a briga é grande para não apenas manter uma programação de qualidade no ar, mas, principalmente, segurar o moral da equipe que tem de cumprir seu compromisso acima de tudo com o público.

As premiações para a TVE e para a FM Cultura não têm sido poucas, é bom que se registre. E comprovam que profissional de qualidade o é em qualquer circunstância, seja na ponta de um conglomerado de comunicação com excelência em infra-estrutura, seja numa emissora de poucos recursos.

Tenho acompanhado bem de perto, desde a metade deste ano, a vida na Fundação, já que para ela faço assessoria de imprensa. Lembro que, de início, foi difícil a aproximação com os colegas que, talvez por um vício de percurso, viam no trabalho desenvolvido pelo setor algo “oficial” e quem o faz, um mero assessor de imprensa alienado da verdade jornalística. Aos poucos, realizei um trabalho de aproximação através do contato constante com as produções e chefias, usando em especial o site para dar visibilidade ao trabalho realizado. Com incentivo da presidência, passei a ser mais chamada para os projetos ainda em sua fase de discussão, o que permitiu um acompanhamento mais completo do produto e de quem o faz.

Confesso que ainda me sinto meio pouco à vontade quando, raramente, entro na redação. Com meus 33 anos de experiência em jornalismo, entendo: fechar matéria, como se diz no jargão, fazer pautas, decidir em espaço de tempo mínimo, é estressante e não dá espaço para muitos rapapés. Mas aprendi a respeitar e admirar quem faz a TVE e a FM Cultura. Durante a Feira do Livro, em que o Flávio Dutra me inventou como comentarista de programa diário ao vivo, tive chance de maior aproximação e confesso que foi experiência das mais significativas não só da minha carreira mas da minha vida de relação.

Por isso, hoje, estou ressaltando, de maneira talvez excessivamente pessoal e confessional, o significado dos prêmios da ARI para a TVE e a FM Cultura. Não que alguém de lá precise do meu aval. Além do que, minha passagem por ali terá sido breve. Mas é minha maneira de tornar ainda mais público o reconhecimento que chegou na forma de premiação. Parabéns ao Flávio e a todos os seus comandados. E a campanha criada pelo Marketing de lá está certíssima: TVE faz bem ver; FM Cultura faz bem ouvir.

Autor

Maristela Bairros

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