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Fique triste e seja feliz

Lendo uma entrevista na revista Época, com o americano Jerome Wakefield, professor da Universidade de Nova York, deparei com um tema que sempre me …

Lendo uma entrevista na revista Época, com o americano Jerome Wakefield, professor da Universidade de Nova York, deparei com um tema que sempre me inquietou: a busca desenfreada pela felicidade na atualidade. Tem sido, nos últimos anos, uma coisa meio maluca. Parece que a tristeza é algo ruim, que as pessoas tristes devem ser discriminadas, até. Pois este professor defende que a tristeza faz parte da vida. E que é preciso também, para encontrar o equilíbrio e mesmo ser feliz, deixar a tristeza fazer o seu papel.

Com as “armas químicas”(prozacs e cia), muitas pessoas têm enfrentado a tristeza combatendo-a com remédios. Que até surtem o efeito imediato. Mas não ajudam o indivíduo a evoluir nem a superar a questão que deu origem à tristeza. Faz parte da nossa psique a necessidade de nos sentirmos tristes, encararmos esta tristeza(seja a extensão que ela tiver) para resolver conflitos e crescer, amadurecer. Isto, ao final e ao cabo, terminará que, com mais equilíbrio, possamos ser felizes.

Óbvio, todo mundo quer ser feliz. Temos o dever de buscar a nossa felicidade. Mas é sabido também que a vida é cheia de reveses, que vão desde pequenos aborrecimentos até problemas bem maiores. Não se pode, definitivamente, ser feliz em 100% de uma existência. A tristeza faz com que nos tornemos mais introspectivos, mais reflexivos e – o que é muito importante nos dias de hoje – nos dá a clara idéia de que não somos invencíveis. Seria o antídoto a nossa onipotência.

Alguns diretores de empresa devem estar torcendo o nariz, pois tudo o que eles querem são funcionários motivados e felizes, não deprimidos. Claro que para tudo há limite. Uma coisa é uma depressão normal da vida; outra, uma depressão profunda, da qual o indivíduo só consegue sair com ajuda terapêutica, medicação, etc. Como sempre, a resposta está no equilíbrio: uma tristeza normal é inevitável, em vários momentos da vida. Portanto, o gerenciamento humano neste caso é indispensável. Mas não esqueça: fique triste para ser feliz.

Autor

Flavio Paiva

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