O tenista Djoikovic, para mostrar o calor que faz no Aberto da Austrália, em Melbourne, fritou um ovo na quadra. Calor de 45 graus à sombra. Outro tenista que disputava o torneio não aguentou e desmaiou. Por aqui, jogadores de alguns times de futebol tiveram que colocar os pés dentro de recipientes com água gelada para conseguirem continuar a disputar a partida, no final de semana passado. Uma verdadeira fritura.
Claro que o esporte se tornou uma grande indústria, que movimenta bilhões ao redor do mundo, interessando a patrocinadores, grupos de mídia, atletas, agentes, federações e confederações, entre outros players. Isto é pra lá de sabido. Ocorre que o esporte está deixando de ser esporte. Aí é um problema.
Se não fosse assim, os jogadores não seriam obrigados a disputar partidas em condições desumanas, levados a situações limite em termos de saúde física. O atleta seria tratado como atleta, não como uma máquina ou um cavalo de competição. Porque ao fazerem isto, desumanizam o esporte e ele deixa de sê-lo.
O esporte tem sua origem nos conceitos de competição, superação, mas sempre SAÚDE. Sua prática deve estar associada sempre a este conceito, sob pena de haver uma crise de conceito no que seja esporte.
Além disto, vejamos a mensagem que está sendo passada: a de que primeiro vêm os interesses econômicos e que o atleta – e num raciocínio em sequência, os fãs do esporte – está em segundo, senão terceiro ou quarto plano. Sua saúde não é levada em consideração. Então, pra que existir o esporte?
O “esporte” tem também um aspecto de competição, as partidas são uma reprodução da realidade de uma odisséia, de uma batalha. Porém, é preciso que os seres humanos que se dignem a utilizar esta alcunha mantenham a ideia de batalha como um conceito abstrato, não como realidade. Assim como a superação dos limites não pode ser igual a colocar a vida dos praticantes em risco. Caso contrário, o esporte acaba em si.

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