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Garcia e um Peru dividido

“Cavalo louco” é um apelido que em seu primeiro mandato, há 16 anos, recebeu. Alan Garcia, presidente eleito do Peru, e que não gosta …

“Cavalo louco” é um apelido que em seu primeiro mandato, há 16 anos, recebeu. Alan Garcia, presidente eleito do Peru, e que não gosta de lembrar. Por um milhão de votos venceu, no último dia 7, numa margem de 10%, seu opositor Ollanda Humala. Político astucioso, segundo o New York Times, foi eleito pela primeira vez com 35 anos, em 1985. Limitou os pagamentos das dívidas estrangeiras, tentou nacionalizar os bancos e emitir dinheiro para  controlar a inflação. Agora, Garcia aparece como político responsável, muito longe do “cavalo louco” que foi obrigado a exilar-se em Paris e na Colômbia. E irá agora governar um país dividido.

Garcia disse que ia renegociar contratos com empresas mineradoras e lutaria para proteger os agricultores, agora que o país assinou um acordo de livre comércio com os EUA. Prometeu remédios mais baratos e empréstimos às pequenas empresas, que os analistas dizem que o Peru tem dificuldade em pagar. As grandes filas de comida não devem voltar. O primeiro mandato de Garcia, segundo El Pais, foi tão desastroso que permitiu a ascensão de um político como Fujimori em lugar do responsável escritor Mario Vargas Llosa.

UM POPULISTA

Carnos Reyba,  analista político que escreveu um livro sobre a presidência de Garcia, diz que no governo não seria beligerante contra Washington, contra as grandes multinacionais que operam no Peru ou contra o Fundo Internacional, todos monstros de seu primeiro governo: “No entanto, ele retém um veio semi-autoritário, que ameaça as instituições peruanas e o decoro democrático”. Para muitos, como ficou comprovado, seu opositor foi considerado antidemocrata, mas há dúvidas sérias quando a Alan Garcia.

No seu primeiro governo, Garcia pediu que o Congresso fosse dissolvido se os congressistas não aceitassem um corte nos salários, falou em “dinamitar” o sistema político peruano e chamou seu concorrente da “assassino. Diz Rauba: “É o populismo clássico de um líder que atropela as instituições e, nesse sentido, Alan não mudou. Dentro e fora, é o imperador, não tolera competidores, não permite a democracia dentro de seu próprio partido, a Apra (Partido Aprista Peruano)”.

UM PERU DIVIDIDO

O candidato presidencial nacionalista Ollanda Humala expressou domingo, data das eleições, satisfação por ter colocado na agenda política peruana temas como a extrema pobreza e o nacionalismo. Apesar de ter apenas um ano de atividade política: “Foi um grão de areia ter contribuído para a agenda política do país”. E foi mais adiante dizendo que sua proposta avançou, com muita legitimidade, muita ilusão do povo e “por isto, o país pode mudar sim”.

A União pelo Peru (PP), de Humaitá, ocupará 45 cadeiras no Congresso de 120 legisladores, enquanto o Partido Aprista Peruano, de seu rival Alan Gargia, terá 36.. A eleição presidencial de domingo vai destacar a divisão entre dois Perus, segundo a Reuters. No sul montanhoso do Peru, o coração da cultura tradicional e da população indígena do país, votaram em sua avassaladora maioria em Ollabnta, com 60% dos votos.

Garcia – que se apresentou como menos radical que Humala –, teve a preferência na capital. “O país está polarizado. O Sul mantém sua confiança em Ollanta”, diz Calos Morelli, consultor internacional de 60 anos que mora em Lima. “As pessoas nas montanhas concordam com Ollanta que nos vendemos aos interesses estrangeiros”.

CHAVEZ, O GRANDE DERROTADO

“Acredito que Chavez tenha sido o grande derrotado”, diz o professor Lopes Alejandro, de Ciência Política, da Universidade Católica de Caracas. Ele entende que Chavez segue a política do dominó, caem um, caem todos.  Para Lopes, o chamado das urnas é para que ele pare de hostilizar o Peru., e deixe de promover os termos de seu governo sobre o restante da região, principalmente nas regiões andinas: “E ele, Chavez, quer ser o líder da América do Sul, com apenas um sétimo da economia brasileira”.

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Autor

Iara rech

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