O artifício da leitura labial para identificar as falas dos jogadores de futebol tem produzido muita asneira e algumas constatações emblemáticas. A frase com a qual Materazzi ofendeu Zidane, que perdeu a cabeça e o título mundial, é tão grave quanto chamar o Tinga de macaco. “Todos sabemos que você é um filho da puta terrorista”, ao contrário do que disse o italiano, não é “um insulto desses que se ouve dezenas de vezes e que geralmente nos escapam no gramado”. Se ele tivesse parado na puta, seria. Como não parou, incorreu em racismo. Zidane não teria sido chamado de terrorista se seus pais não fossem nascidos na Argélia. Para o zagueiro italiano, todos os argelinos são terroristas, como para muita gente todos os muçulmanos também o são. O preconceito contra negros é tão grave, histórico e enraizado que choca mais, mas argelinos, muçulmanos ou integrantes de quaisquer raças ou religiões merecem o mesmo respeito. Quem acha que Materazzi não ultrapassou os limites fica proibido de protestar em casos nos quais é conveniente e dá mídia favorável. O resto é ressentimento com a seleção francesa.
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Na cúpula do G-8 a TV não precisou recorrer a especialistas em leitura labial para flagrar o desejo do presidente Bush de que a Síria intervenha na pendenga Israel x Líbano “para acabar com aquela merda”. Pode não ser a expressão mais elegante, mas não há motivo para tanto espalhafato. O público em geral até pode estranhar, mas como os jornalistas acham que homens adultos, parceiros e aliados conversam longe dos microfones? A propósito: como jornalistas conversam nas redações sobre determinados temas? Como se referem à derrota da seleção, ao Parreira ou a Suzane von Richthofen?
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O Parreira, aliás, é tedioso até em leitura labial. “Vai ali, pô”, “pra frente, pô”, “passa a bola, pô”.
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Como no Brasil se desconfia de tudo, há quem diga que a leitura labial do Felipão foi fraudada. Não é possível que não tenham registrado um palavrão sequer.
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Com a leitura labial em alta em todo o mundo, aguarda-se para breve um novo reality-show: o Big Lips. Depois do Grande Irmão, o Grandes Lábios.

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