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Histórias de nerds e geeks

Não existe tradução literal para nerds e geeks, fenômeno tipicamente americano e que se popularizou em outros países. Inicialmente um nerd era um geek, …

Não existe tradução literal para nerds e geeks, fenômeno tipicamente americano e que se popularizou em outros países. Inicialmente um nerd era um geek, pessoa muito hábil ou viciada em computadores e tecnologia, com notas melhores. A palavra descrevia um pária colegial ou um universitário que era perseguido pelos atletas, veteranos, membros de fraternidades e irmandades. Tinham seus próprios heróis (Stan Lee), sua própria religião (“Star Wars”) e seus próprios conhecimentos técnicos como suporte.

Os historiadores do futuro, que registrarão o predomínio nerd, notarão que a fase de conquista do poder teve início nos anos 80, com a ascensão da Microsoft e da economia digital. Os nerds começaram a ganhar grandes somas de dinheiro e adquiriram credibilidade econômica, base para o prestígio social.

A revolução da informação produziu um desfile de magnatas nerds altamente confiantes, como Bill Gates e Paul Allen, que acabaram como geeks. Entre os adultos, as palavras “nerd” (os “quadrados”) e “geek” (os empreendedores de sucesso) trocaram de posição e de status. Um geek possuía paixão pelo conhecimento, mas também alto grau de consciência social e segurança que os nerds careciam.  Um nerd era ainda socialmente manchado, mas o reino geek – os que venceram – adquiriu sua própria cultura bacana. A nova tecnologia criou uma série de playgrounds mentais onde os geeks podiam exibir seu capital cultural. O atleta podia brilhar no campo de futebol, mas os greeks podiam exibir sua sensibilidade suave e emoções bem moduladas em seus sites, blogs, mensagens de texto.

Agora há exércitos de designers, pesquisadores, especialistas em mídia e outros produtores culturais com talento para autodepreciação bem-humorada, referências sociais obscuras e análises de fim de noite. Se Holden Caulfield, de “O apanhador dos campos de centeio”, era o solitário sensível de uma era de opressão sobre o qual os nerds choravam, Harry Potter foi o líder mágico na era da conquista do poder pelos geeks.

Eles, os geeks, criaram uma nova definição do que significa ser cool, uma definição que deixa de fora o talento dos atletas, os tipos MBA e dos menos escolarizados. Atualmente, há milhões de pessoas de alta escolaridade que, sem saberem, são guiadas por modos geek e regras de status.

A notícia de que ser geek é bacana aparentemente não chegou aos colégios e ao Partido Republicano. George Bush exerce um papel interessante na história da ascensão nerd. Com seu professo desdém por coisas intelectuais, ele energizou e alienou toda a legião geek, e com isto grande parte dos americanos com menos de trinta anos. Agora, militantes anti-Bush, os geeks estão mais coerentes e ativos do que no passado.

Então, por um período de tempo relativamente curto, com a atual ascensão dos Bush-nerds, a estrutura social virou de cabeça para baixo. Pois, como está escrito, os últimos serão os primeiros e os geeks herdarão a terra. (Com New Yorker e NYT)

Autor

Iara rech

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