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Humildade da ignorância

Por Grazi Araujo

Certa vez ouvi um dos conselhos mais sábios pra vida: só muda de opinião quem tem uma. Não há problema em mudar o trajeto, em pegar novos caminhos, em abrir a cabeça e repensar. O que ontem fez sentido, hoje pode não fazer tanto e amanhã fazer nenhum. Principalmente agora, enquanto vivemos tamanhas incertezas. O título deste artigo foi um comentário do colega jornalista Tulio Milman durante um bate-papo que tivemos durante uma live. Falávamos de opinião, de expor o que se pensa e do quanto isso reflete na sociedade e em todos que nos cercam. Nós, jornalistas, somos referências. Cada um na sua linha, no seu conhecimento, no que se atreve. Neste meio de redes sociais e influenciadores, dizer o que se pensa pode criar posicionamentos naqueles mais próximos. 

Quando toda essa loucura começou, meu desejo era mesmo que tudo fechasse. Desde então, cumprimos à risca o isolamento e o distanciamento, tomando todos os cuidados necessários e saindo apenas para aquilo que é essencial. Farmácia, comida e ração. Tive uns dias ainda no hospital, para completar os itens listados como indispensáveis. De lá para cá, muitos comportamentos de compra foram modificados. Café, por exemplo. Eu gostava da experiência de ir até uma loja Nespresso e escolher minhas cápsulas, mesmo já sabendo de cór quais preferimos por aqui. Mas sempre tinha uma prova de uma edição limitada ou a simples ida até o shopping já se tornava a atração para tal compra. Porém, além de tomar mais café na rua do que em casa (o que fazia durar mais tempo), quando acabavam as cápsulas, eu não ia no mesmo momento até a loja. Com o coronavírus, o consumo do café aumentou e a forma de pedir, mudou. Talvez até a percepção de necessidade tenha feito com que, ao avistar as caixinhas esvaziando, eu abra o app e faça o pedido de reposição. Praticidade e comodidade são as palavras da vez, ainda mais para produtos que já conhecemos e somos fiéis. 

Por outro lado, apareceu a necessidade de comprar alguns novos eletrodomésticos para a casa. Alguns estragaram, outros ainda não tínhamos razão para comprar e por aí vai. Senti falta de ir até a loja, ver as diferentes opções, os tamanhos, os detalhes. De conversar com o vendedor, de pechinchar desconto, de perguntar coisas óbvias ou trocar ideias com consumidores. E aí, como faz? O único lugar físico disponível para compras assim – chamadas de não essenciais – é o supermercado, local onde o preço não é tão competitivo quanto em lojas especializadas. 

Com a proximidade do setor varejista, o qual também faço assessoria, me dei conta de que agora mudei de opinião. Ninguém se aglomera frente a uma estante de liquidificador, por exemplo. Não há filas para comprar um aspirador de pó ou para procurar uma decoração para comemorar uma festa infantil em casa. Mesmo com tanto digital, ainda há muito a necessidade do físico, do olho no olho, da humanização do processo. Há bastante opção de reinvenção, assim como há tradição em formas de compras. Todas as vezes que fui ao supermercado, tinha filas. É a única opção, oras! Eu entro e saio com medo, é muita gente transitando, encostando em produtos, digitando senhas nas maquininhas. Me embebedo de álcool em gel tipo uma maluca. Se as lojas estivessem abertas, mesmo com horários reduzidos, quem realmente precisa comprar, iria lá e faria exatamente o mesmo processo da ida ao mercado. Necessidade. Não temos tempo nem saúde para “vou só dar uma olhadinha”. Depois de muita negociação com os gestores, começa agora uma flexibilização para os empreendedores que tanto foram atingidos com este vírus. Os cuidados, eu não tenho dúvida, que serão feitos, até para garantir que o seu consumidor se sinta seguro na sua loja. Nós, clientes, também temos nossa parte no processo de prevenção de contaminação. Se organizar direitinho, todo mundo vende, compra e fica com um sorriso no rosto no final do dia. 

 

Autor

ond@web

Repórter especial

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