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Ídolos

Vivemos o espírito olímpico. Nestes tempos, atletas brasileiros representam para o povo mais do que atletas. São símbolos. Eles simbolizam a fé em um …

Vivemos o espírito olímpico. Nestes tempos, atletas brasileiros representam para o povo mais do que atletas. São símbolos. Eles simbolizam a fé em um mundo em que as pessoas se dediquem e vençam por seus próprios méritos, unicamente. Um mundo em que, teoricamente, todos têm as mesmas chances. Resumindo, uma utopia.

Por isto, os ídolos são tão importantes. Não apenas os esportistas, mas artistas, políticos, líderes espirituais. Eles sempre representam a nossa fé na utopia, de que eles serão ou são capazes de fazer algo que queremos muito, mas não conseguimos fazer, pelos mais variados motivos.

A morte de Leonel Brizola comoveu todo o país. Muito mais do que pela atual representatividade do líder político (que há cerca de 10 ou 15 anos já não era mais a mesma), a comoção se deu porque seu enterro foi o enterro da esperança. Muitas pessoas viam nele a última esperança de um Brasil melhor, mais justo e igualitário. A esperança de que política é possível de ser feita por ideais, não por interesses (ou interésses, como diria Brizola). Quando morre um líder, um ídolo, morre um pouco de cada um de seus seguidores.

Mas, um dos principais ensinamentos dos líderes é que não podemos capitular frente às adversidades. De que vale a pena, sim, seguir lutando pela vida e pelo que acreditamos. Não quixotescamente, idealistas da ilusão, sem os pés na realidade. Mas com os pés na realidade e os olhos no amanhã, com certeza melhor.

A vida é luta diária. É tristeza. Mas também alegria. É preto, mas também é cor. A vida, em seu banquete, serve o prato que enxergamos, cada um o vê de um jeito. Conheço pessoas muito pobres que acham que a vida é motivo de alegria, assim como pessoas ricas que acham a vida triste, difícil e enfadonha.

Diariamente, somos colocados na raia 1, prestes a disputar os 100 m rasos. Ou na piscina, para bater o novo recorde. É preciso encarar como desafio e como vitória, mesmo que não sejamos os primeiros. Nossos troféus são as pessoas que amamos, nossa família e a certeza de poder dormir uma noite de sono com a cabeça tranqüila.

Não há medalha de ouro mais valiosa do que a de chegar, ao final de um estafante dia de trabalho e correr para o pódio que são os braços da família. Sempre nos sentimos o número 1, mesmo que os cabelos brancos denunciem o final da juventude, que a barriga seja proeminente e incompatível com um atleta. Meu pódio é a minha casa.

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Autor

Flavio Paiva

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