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In Forma (08/04/2026)

FRASES QUE NADA SIGNIFICAM

Talvez seja culpa da mídia ou apenas mais um sinal de desrespeito pelo significado das palavras, mas nunca se repetiu no Brasil frases tão sem sentido.

Elas estão nos jornais, na televisão, nas redes sociais e principalmente nos discursos dos políticos ditos de esquerda.

Na falta de coisa mais útil para fazer, me dei o trabalho de colecionar algumas delas.

A mais repetida de todas é Estado Democrático de Direito. Nós vivemos nesse tal Estado e possivelmente não nos damos conta disso. Mesmo que os nossos pobres sejam cada vez mais pobres; que a exploração da força de trabalho dos operários seja cada vez maior; que as prisões estejam cada vez mais cheias de pobres e negros e que políticos e juízes disputem as manchetes dos jornais para saber quem participou do último escândalo, vivemos num Estado Democrático de Direito.

Outra frase sempre presente nos alerta para o perigo do fascismo. Ele está nos espreitando na esquina, sempre pronto para tomar o poder e nos submeter à sua ditadura, como ocorreu, apesar das evidências em contrário, durante o governo do Bolsonaro. Não adianta explicar que o fascismo foi um fenômeno tipicamente europeu do século passado, quando burguesias nacionais muito fortes e hegemônicas – alemãs, italianas, espanholas e inglesas principalmente – se confrontaram até militarmente por conquistas econômicas e territoriais. O que temos hoje no Brasil é uma burguesia dependente do imperialismo norte-americano e preocupada apenas em se manter no governo, seja com Lula, seja com Bolsonaro.

Finalmente, resta outra frase definitiva mas historicamente falsa: vivemos sob o açoite do Racismo Estruturado. Somos, felizmente, o maior exemplo de miscigenação racial do mundo e ao contrário dos Estados Unidos, o nosso racismo – quando existe aqui tem a ver apenas com a cor da pele e não como entre os americanos, onde ele tem a ver com o sangue. Apesar disso, importamos dos Estados Unidos o tal racismo estruturado usado por esse pessoal que, junto com o conceito errado, importou também um modelo de identitarismo “made in USA”.

A tão sonhada Revolução Brasileira deveria começar pelo combate à importação de conceitos e frases que nada têm a ver com a nossa realidade social e cultural.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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