Não me refiro somente aos influencers, mas neste momento todas as pessoas estão exercendo essa função: somos todos influenciadores uns dos outros. Ah, me dirão, mas isto sempre aconteceu. Verdade. Em maior ou menor escala, mas sempre. A questão nesse momento é exatamente essa: escala.
O coronavírus, por ser um fenômeno mundial, que ocorreu muito (mas muito) rápido, que tem uma velocidade de propagação intensa, sendo em grande parte ainda um desconhecido, gera basicamente medo. Medo por seus desdobramentos possíveis na saúde física (e até mental, pois estamos em quarentena) e, por outro lado, desdobramentos na saúde financeira de empresas e governos e, por consequência, de pessoas.
Esse medo gerado foi muito potencializado por essas características e, infelizmente, por muitas e muitas e intermináveis fake news. Além disso, pessoas sem conhecimento suficiente ou mesmo nenhum para emitir opinião a respeito do tema, se tornaram esses influenciadores negativos, propagadores do pavor (fazendo previsões apocalípticas que não sabemos como e quando ocorrerão, se ocorrerão e de que forma). Então, basta acender um isqueiro e parece que saem explosivos no mundo todo sendo acesos. Ao mesmo tempo.
Assim como o medo é potencializado, transformando-se mesmo e rapidamente em pavor, os “influenciadores reversos” têm papel decisivo nesse momento. Porque veículos de comunicação e autoridades, bem como os próprios influenciadores conscientes, pedem à população que não propague nem informações sem fonte(ou áudios que começam com “Atenção pessoal! Recebi de fonte séria a informação de que…(e entra uma informação absolutamente negativa e sem bases corretas)”, coisas do tipo e que não propaguem sem antes averiguar a fonte, se esta notícia está presente em mais de dois ou três veículos de comunicação confiáveis, enfim, que imponham um raciocínio mais equilibrado antes da divulgação em grupos, para indivíduos, etc. Infelizmente as pessoas, por estarem muito assustadas com a saúde e com seu futuro, vão propagando essas informações e, além disso e não menos importante, comentários, previsões, que raramente tem um olhar mais racional.
Então, como habitante desse planeta, que é e será submetido ao mesmo efeito do coronavírus (em todas as áreas que citei), faço um apelo forte: por favor não passem adiante nem suas impressões, nem informações sem ter checagem devida, nem mesmo seus medos, evitem. Claro que se entende que o medo compartilhado reduz sua força, mas se for possível não dividir só o temor(ou ao menos o temor muito grande) do que possa ocorrer, você já estará prestando um grande serviço à humanidade.
Não estou querendo dizer com isso de forma alguma que as práticas e cuidados devam ser ignorados. De jeito nenhum! Devem continuar a ser seguidos e tomada toda a cautela necessária. Isso é fundamental nesse momento.
Portanto, antes de nos tornarmos influenciadores reversos, pensemos um pouco no outro que receberá a nossa mensagem, na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país e mesmo no mundo. Não sejamos agentes potencializadores de pavor. Estou certo de que você não quer de fato exercer esse papel, não é verdade?
Natural que as coisas fujam um pouco do controle(me refiro nesse momento principalmente ao controle mental), que os ânimos fiquem exaltados e os temores também. Normal, senão não seríamos humanos ou seríamos alienados. Mas que tal tomar as devidas cautelas(me refiro às de higiene e da vida pessoal, como gastar naquilo que é necessário somente, pensar antes de fazer alguma aquisição que não seja realmente importante, etc), mas não servirmos como amplificadores do medo? Isso só serve a um propósito: disseminar um sentimento de profundo medo por todos os cantos do planeta. Estou certo de que você não acorda querendo fazer isso.

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