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Informação demais é antiinformação?

Vivemos uma época de grande oferta de informação, com visões diferenciadas sobre um mesmo tema e possibilidades de aprofundamento em qualquer assunto. Porém, ao …

Vivemos uma época de grande oferta de informação, com visões diferenciadas sobre um mesmo tema e possibilidades de aprofundamento em qualquer assunto. Porém, ao mesmo tempo, percebe-se um desânimo diante de tanto conteúdo.

A informação, boa e quentinha, está em todo o canto: blogs, newsletters, etc. Diversos colaboradores, articulistas, jornalistas e blogueiros colaboram diariamente, lotando a web de conteúdo, muitas vezes bom e relevante. Nunca houve tamanho empenho em inserir conteúdo na web, por todos os cantos e meios possíveis a imagináveis. Basta querer e pronto, a informação está ali, à sua disposição, muitas vezes disponível em diversos pontos de vista que enriquecem o conhecimento.

Porém, quando a oferta é demasiada, o santo desconfia. Na economia capitalista, globalizada e neoliberal, excesso de oferta significa desvalorização do produto oferecido, responsável por quedas e quebras nos casos mais extremos. Quando há muita oferta, a tendência é a queda nos preços e aumento de promoções diferenciadas visando “escoar” o estoque e “girar” o capital. Em tese, ninguém discorda que a web, em seu formato atual, trouxe uma visão totalmente ampla, liberal e democrática do mundo. Basta um clique para ter acesso de um bom livro, de qualquer museu ou exposição em qualquer biblioteca do mundo.

Há, no meio web, um impulso natural de participação. A midia tradicional também não quer “ficar de fora” da maneira moderna e atual de se fazer as coisas. Se o acesso melhorou, por que as pessoas continuam tão desinformadas?

Mesmo que oferecida às toneladas e por diversos meios, há pouco interesse em ser informado, em se pesquisar e aprofundar os horizontes. Ainda há quem diga, sem nenhum traço de vergonha, que é difícil se manter informado, mesmo tendo uma conexão banda larga em casa. E isto que bastariam alguns minutos para se informar sobre qualquer assunto de seu interesse…

A impressão que se tem é a de que o excesso desmotiva, desanima e torna algo relevante em fútil, como se todo o mundo soubesse do que se passa sem necessidade de ler. No final temos um “círculo vicioso” de opiniões abalizadas, baseadas no resumo do resumo do resumo, sugando completamente a essência e a importância da informação original, jogando-a na vala comum das pequenas notas jornalísticas.

Nos tempos atuais, onde “ouvir falar” é mais importante do que realmente saber, onde é mais importante ter noções a mais do que conhecer a fundo, o excesso de oferta talvez assuste e desmotive a procura, trazendo uma sensação equivocada de “deja vu” por antecipação, altamente mortal para a cultura e a sociedade. (com El Pais, Le Monde Diplomatique, IGNow).

Autor

Iara rech

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