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Insanidade f.c.

O Brasil, conforme matéria publicada no site do Estado de São Paulo (http://migre.me/h3kmr), terá ao final da Copa do Mundo de 2014 os estádios …

O Brasil, conforme matéria publicada no site do Estado de São Paulo (http://migre.me/h3kmr), terá ao final da Copa do Mundo de 2014 os estádios mais caros do mundo, levando-se em conta o custo de cada assento. As obras, feitas em ritmo exato de forma a terem que ser aceleradas ao final (para que sejam dispensadas algumas exigências legais, bem como seja “legitimado” o aumento nos preços finais), terminarão por gerar esta excrescência. Financiada com dinheiro público, a juros módicos.

Junte-se a isto o que ocorreu no jogo entre Atlético-PR e Vasco da Gama, pela última rodada do campeonato brasileiro de futebol de 2013. Cenas de selvageria e vandalismo, com imagens que rodaram o mundo todo de um torcedor pisoteando o pescoço de um adversário, com o detalhe de que este torcedor jazia desacordado na arquibancada.

Estão pipocando aqui e ali algumas mortes de operários nas obras dos estádios. Em minha avaliação, resultado de descontrole gerencial e pressa, a mesma que vai gerar superfaturamento, em terminar os estádios em prazos pouco adequados.

Por fim, uma virada de mesa, sendo que um rebaixamento foi decidido no Tapetão. Portuguesa perde pontos e Fluminense volta à série A.

A respeito de tudo isto, gostaria de ouvir os torcedores, pois são eles a fonte motriz e motivadores de todo este circo (o termo está perfeitamente adequado ao que se transformou o futebol brasileiro). É ele, o torcedor brasileiro, quem dá Ibope às partidas de futebol transmitidas pela televisão. Com boas taxas de Ibope, as TVs podem negociar espaços comerciais com anunciantes de forma a gerar excelente faturamento para si.

O torcedor também é quem enche os estádios. Achei – santa ingenuidade – que o jogo final da Copa do Brasil, que teve ingressos com preços entre escandalosos R$ 800,00 e R$ 250,00, estaria com as arquibancadas vazias. Que nada. Estádio lotado.

Assim sendo, mantendo níveis de audiência elevados, comparecendo a estádios com serviços de quinta categoria e preços de Primeiro Mundo (sendo os salários brasileiros de Terceiro Mundo), não fazendo qualquer protesto (que não seja a indignação via Facebook, tão pífia que gera risadas entre os dirigentes do futebol brasileiro, já que acaba em si mesma, não vai adiante) consistente contra as guerras de torcidas organizadas, bem como ao financiamento existente por parte dos clubes às mesmas torcidas que geram cenas de vandalismo, estes torcedores assinam embaixo e aplaudem as atitudes dos clubes e dirigentes. Se eu fosse dirigente de futebol e visse a reação (ou a absoluta pasmaceira) dos torcedores brasileiros, sendo submetidos a maus tratos ano após ano e ainda assim comparecendo, consumindo, aplaudindo e vibrando, eu teria o mesmo raciocínio, provavelmente: eles estão sendo humilhados e estão gostando, pois não fazem nada! Até quando os torcedores, em nome de uma paixão (que só existe na cabeça antiquada dos torcedores, pois nos bolsos e visão de dirigentes, é um negócio e nada mais do que isto, do qual tiram a maior vantagem possível), ficarão aplaudindo de pé atitudes de profundo desrespeito para com eles mesmos? Até quando? Não farão nada?!

Autor

Flavio Paiva

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