O atual momento político – e econômico-social – está colocando à prova a profissão de jornalista. Afinal, jornalista deve tomar partido? E se tomar, estará se comprometendo eticamente? Ou se for fiel à sua ideologia, a ética vai para o beleléu? Acredito que este momento, talvez mais do que em outras épocas nos últimos 100 anos, esteja sendo mais difícil de compreender e respeitar os princípios que norteiam o bom jornalismo.
Quem trabalha com segmentos menos sujeitos às turbulências causadas pela política, ainda conseguem desenvolver suas atividades sem pressões ou cobranças. Porém, quem atua na cobertura política, em algumas áreas da economia, do judiciário, legislativo e executivo, às vezes não tem saída: suas reportagens e/ou opiniões certamente vão desagradar um dos lados.
Por isso temos visto com frequência nas redes sociais, cartas ao leitor, espaços para reclamações, tantas críticas, xingamentos, crucificação de profissionais que comentaram determinados fatos, ou defenderam alguma tese, serem criticados, rotulados, ofendidos. E nem vem ao caso se suas posições revestem-se de comprovada idoneidade, se são verdadeiras.
Para quem defende um lado, jornalista bom e correto, veículo idôneo é aquele que está do seu lado. Não importa se existam culpados comprovados de atos desabonatórios. Quem comentar contra suas ideologias, ações e mesmo evidências, é considerado mal-intencionado, está a serviço do adversário, foi comprado, tem rabo preso, não sabe de nada, é manipulado. Enfim, para quem está engajado a uma causa, acredita nela e a defende contra tudo e contra todos, talvez a SUA ética seja outra. Ou, que a ÉTICA se exploda. O que importa é a sua versão.
Sinceramente, não sei por quanto tempo o jornalista terá que – ou conseguirá – seguir um Código de Ética, se é que ele existe mesmo ou é uma peça de ficção. Se juramos contar a verdade quando tivermos prova absoluta, deveríamos fazê-lo sempre. Mas a realidade é outra: o jornalista sempre esteve e está na dependência de fazer o que o dono do veículo permitir… e …ou um partido, um grupo econômico ou um governo determinar… Quer dizer, sempre haverá um limite para a ética e a verdade completa.
Durante anos a maioria dos jornalistas sonhavam em trabalhar na Veja, depois IstoÉ, Época, Carta Capital, ou então, Estadão, Folha de São Paulo, Globo, JB e jornais de Brasília. Por quê? Por terem mais visibilidade, espaço para grandes reportagens, investigação, denúncia e melhores salários. De repente, estes mesmos veículos são contestados pelos próprios jornalistas. Por quê? Porque tomaram partido de alguma forma e algum momento. Então, creio que o jornalismo brasileiro está passando por um teste de fogo, assim como a própria política? Como será o futuro? Não sei. Também estou esperando para ver.

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