Hoje me convenci: sou uma pessoa insatisfeita, quiçá com expectativas exageradamente acima do patamar a que tenho direito ou que eu possa de fato alcançar. Digo isso porque, como cidadã deste país mergulhado na mais torpe fase de corrupção de toda sua história – sob o olhar complacente do PT e de Lula – vi, com estes olhos que a terra há de comer, o governador do Distrito Federal ser preso. Afinal, é auspicioso este fato, num momento em que a gente já nem desacredita mais da justiça: a fase é de indiferença. Pelo menos para a maioria é.
No entanto, esta detenção, quem sabe um marco na história podre dos dias que correm, não me entusiasma. Escrevi, retuitei e segui tuiteiros que geraram mensagens espirituosas, vingadoras, informativas e justas sobre a primeira punição real a um ladrão eleito pela massa ignara. Fiquei até mesmerizada diante do computador, acompanhando minuto a minuto este quase filme de uma bollywood que se acha hollywood, ansiando pelas novidades, pela repercussão. Acontece que minha alma não se sentiu plena. Minha sede de justiça não se aplacou. Bem como minha insaciedade por estas frases feitas que acabo de digitar. Aí, então, me ironizo.
Que mais fazer? Como vou ficar feliz se leio, aqui mesmo no Coletiva, que o Sindicato dos Jornalistas está obrigado a conceder filiação aos senhores Edwin Dick e Elisete de Souza, de quem jamais ouvi valar, e cuja única referência que encontrei no Google diz respeito a um certo livro que fala em timão e fogão. Com todo respeito, jamais os reconhecerei como iguais, tendo ou não registro de jornalistas.
Podem mil juízes decidir que eles são jornalistas, podem ter sua carteirinha internacional para entrar de graça em museus e exposições na Europa, podem brilhar nas revistas repletas de fotos de badalação quase sempre pagas para se publicadas, mas os senhores Edwin e Elisete nunca serão como eu. Nem como os milhares de colegas que cumpriram a lei e passaram anos na faculdade, em meio muitas vezes a professores medíocres e conteúdos ultrapassados para agir com a devida e esperada correção.
Podem os senhores Edwin e Elisete exibir suas carteirinhas para seus entrevistados, amigos, familiares, abrir um espumantezinho em honra a “esta conquista”. É o máximo que conseguirão. Jornalistas, de fato, jamais serão.
De todo modo, se quiserem botar um diploma na parede, podem fazer este curso anunciado aqui mesmo, no Coletiva, pela pechincha de R$ 40, on line, sem pré-requisitos, 45 horinhas bobas no total.
Sem esquecer que Zero Hora, em seus blogs das edições de bairros, usa colaboradores em lugar de jornalistas, tudo di grátis, e ainda dá a eles chamada na capa do site e até na edição impressa. Total desrespeito com sua própria equipe, com matérias que botam na berlinda donos de lojas, de bares e figurinhas excêntricas, dando ao colaborador status de profissional para ainda montar o próprio blog e conseguir anunciantes.
E eu fico com meu desprezo total por Gilmar Mendes, a quem mendiga uma filiação sem merecê-la. Estendo este sentimento a mídias como Zero Hora, que pisoteiam a cabeça de cada um de seus profissionais ao equipará-los às boas donas de casa que se fantasiam de repórteres para fazer suas “matérias” nas vizinhanças. Mais lamentável, é que o Sindicato gaúcho, a ARI e a Fenaj nada façam quanto a essa vergonha especificamente. Meus pêsames a nós, jornalistas de verdade.
