O lixo produzido pela sociedade é um tema que toma maior relevância a cada dia que passa. Hoje, entretanto, vou me ater ao lixo que guardamos conosco. Na realidade, não é exatamente lixo, mas inutilidade.
Hoje, fiz uma limpa geral no meu laptop. Então, vi a quantidade gigantesca de emails e arquivos totalmente inúteis que recebemos e, por um ou outro motivo, acabamos guardando. Este monte de lixo me atrapalhava duplamente: no desempenho do laptop e no gerenciamento de informações. Tenho (ou tinha até então) uma tendência de acumular dados e notícias (úteis e inúteis) sobre os mais variados temas. Acho que vou ler depois, que vou precisar daquela informação, etc. O fato é que devo confiar mais na minha capacidade de armazenamento e seleção mental. Meu HD e meu processador são confiáveis. Somos submetidos diariamente a uma overdose de informações e estímulos. Há os que, como eu, acabam querendo armazenar quase tudo. Mas é claro que não dá. E, mesmo que dê, fazer o quê com tanta informação?
O chique, o in, o cool, é saber selecionar informação. Fazer os movimentos certos, pegando aqui e ali as informações relevantes, com credibilidade e que efetivamente tragam algo de novo. Tentar ler, ouvir, assistir e conhecer tudo já era. Vivemos a vida finita. Pode ser louca vida louca, como dizia o Cazuza, mas também é breve. Então, precisamos ser cirúrgicos. Precisão cirúrgica para olhar, sentir e se apropriar das informações relevantes. Mas e como se faz isto?
Primeiro, usando fontes confiáveis. Veículos de comunicação, pessoas(sejam jornalistas, amigos, colunistas) nos quais você não apenas confie, mas que efetivamente façam uma leitura inteligente e sob um ângulo diferente da vida e dos fatos. Há vários casos na minha vida de jornalistas que fui abandonando, em função de terem se tornado óbvios, repetitivos e previsíveis.
Não sei e ninguém sabe se esta é a única vida que vamos ter ou ao menos da qual vamos lembrar. Assim, qualidade é tudo neste caso. Não há que se apressar a vida, mas também não há tempo a perder. É um paradoxo, mas fundamental. Usar o tempo da melhor forma possível(que pode ser lendo, indo ao teatro ou dormindo), trazendo qualidade para a vida da gente.
Na contramão do que eu falo estão verdadeiros tsunamis de lixo televisivo, editorial, internético. Há uma produção de lixo cultural gigantesca. Porém, há também uma produção de cultura de qualidade muito significativa. Então, novamente há que ser cirúrgico. Cirurgia no cérebro, na parte boa dele. Que deletem os neurônios destinados a consumir lixo. Que deletem o cérebro todo, se só contiver estes neurônios podres. Não, não estou pregando um neonazismo cultural, onde seriam eliminadas as pessoas sem nível, longe disto. O que quero é eliminar o lixo do nosso meio. A humanidade ainda é muito nova? É. A humanidade é também já bem velhinha para certas coisas? É.
Não dá mais pra fingir que não está acontecendo. O lixo e os ratos estão se multiplicando e vão tomar conta, se não dermos um basta. A vida está cheia de lixo, por todos os lados. Lixo humano, lixo eletrônico, lixo, lixo, lixo. Comece você mesmo: se achou que esta coluna não valeu a leitura, delete.

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