Nada irá trazer de volta Marielle Franco e Anderson Gomes para o convívio de seus familiares e amigos. Nada irá diminuir a dor dos que choram as perdas de Marielle Franco e Anderson Gomes desde aquela noite de 14 de março de 2018, quando a vereadora eleita pelo PSOL e seu motorista foram assassinados dentro de um carro na Região Central do Rio de Janeiro, após retornar de um evento na Lapa. Mas saber que oito anos depois a justiça foi feita com a condenação dos mandantes do crime, abre um espaço no coração da gente para plantar mais sementes de esperança.
Foi muito tarde sim o julgamento, aguardado pelos brasileiros e brasileiras que exigiam justiça. Demorou oito anos para que as famílias e os amigos de Marielle e Anderson pudessem respirar com um pouco menos de sofrimento. Mas, a partir de agora, o dia 25 de fevereiro de 2026 entra para a história como a data em que a democracia foi soberana e venceu todos os podres poderes.
A justiça por Marielle é um capítulo importante na luta para que seu legado continue vivo e que ela, enquanto mulher negra, mãe, bissexual e cria da favela inspire as próximas gerações na formação de lideranças. É acreditar que a sua trajetória siga ecoando na política. E, principalmente, uma luta, que prossegue, para que as estruturas de poder deixem, definitivamente, de proteger assassinos e cumpram a sua função de preservar vidas.
No dia de ontem, a primeira turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para condenar os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes por duplo homicídio e organização criminosa armada: os irmãos Brazão. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia não apresentaram dúvidas de que os réus foram os mandantes do crime.
A destacar as palavras da ministra Cármen Lúcia: “quantas Marielles precisarão ser caladas e quantos Anderson serão ceifados para que a ganância de alguns continue a prosperar? É preciso resgatar com urgência o sentido da justiça e da democracia no nosso país para que esse tipo de barbárie nunca mais aconteça”.
Ela lembrou também o caráter de violência de gênero no crime ao indagar: “quantas Marielles o Brasil permitirá ser assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades”. A ministra Cármen Lúcia ressaltou que “matar uma de nós é muito mais fácil. E essa frase não é metáfora. É o retrato de um país que ainda naturaliza a violência contra as mulheres, sobretudo mulheres negras e periféricas”.
Marielle Franco, 38 anos, que recém exercia o seu primeiro mandato, sendo a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016, foi covardemente assassinada por tudo aquilo que representava: mulher negra, mãe, socióloga, cria da favela da Maré, política de esquerda e com a firme disposição de enfrentar o poder das milícias e denunciar injustiças.
Mais do que nunca, seguiremos na luta contra a violência política, contra o machismo, contra a misoginia, contra a homotransfobia e o feminicídio, crimes que assolam o país. Seguiremos unidas e corajosas para garantir que nenhuma outra Marielle seja silenciada. Marielle vive!


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