Neste dia 12 de março, a associação Reporters sans Frontières estará colocando na rede a primeira Jornada Internacional pela Liberdade de Expressão na Internet, com patrocínio da Unesco. Vai ser ocasião para que a instituição renove a sua operação chamada 24 Horas Contra a Censura e está chamando o já imenso mundo de internautas a chegar ao site para marcar presença na mobilização que pretende ir fundo em 9 países que são considerados inimigos da Net.
Assim, das 11h de quarta até as 11 de quinta, os internautas poderão criar um avatar, escolher sua mensagem e tomar parte em uma das cibermanifestações previstas para Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietname. É para a turma reclamar à vontade. Botar a boca no mundo, literalmente. No mesmo dia, a institução publicará sua nova lista de inimigos internáuticos e a atualização do Guia do Cyberdissidente.
O site da RSF mantém, no side bar das páginas sobre o tema, uma série de artigos enfeixados sob o título Internet sob Vigilância. Um dos mais interessantes chama atenção para a véspera do atentado que destruiu as torres gêmeas em Nova Iorque em 11 de setembro de 2001. É de 2004, porém, não perdeu uma vírgula de atualidade. Segundo o autor Julien Pain, este 10 de setembro assinala o último dia de esperança de uma web livre e libertadora. “O aumento do poder do terrorismo mexeu com a ordem mundial e trouxe repercussões ao mundo virtual. As democracias, pouco a pouco, cortaram as liberdades individuais de seus cidadãos para melhor protegê-los. Vigilância das comunicações eletrônicas, censura em sites e leis “liberticidas” foram desenvolvidas em países habitualmente respeitosos em relação à liberdade de expressão”, afirma o jornalista. Para ele, medidas que eram para ser provisórias foram ainda mais reforçadas pelos governos ocidentais, enquanto os regimes autoritários aproveitaram a luta contra o terrorismo para aumentar sua ação na rede e justificar a repressão.
“No dia 10 de setembro de 2001, a Web ainda era uma fonte de esperança: ela deveria facilitar o acesso de todos a uma informação independente e fazer vacilar as ditaduras. Dias mais tarde, ela se tornou a zona de não-direito graças à qual a Al Qaeda pode se desenvolver e coordenar seus ataques. Dali em diante a Internet daria medo. O 10 de setembro é o último dia de uma idade de ouro para a liberdade de expressão na Net. Desde então, a era do Big Brother não pára de se aproximar”.
O artigo de Pain é longo, faz referência à necessidade de enfrentar os problemas de pedofilia, terrorismo e até pirataria na rede. Mas se queixa que o Patriot Act gerado pelos Estados Unidos causou um amordaçamento aos internautas, em especial por terminar com as regras de confidencialidade, e também que a indiferença é grande. Questiona, por exemplo, porque os russos não cobraram das autoridades o fechamento de sites pró-chechenos e os indianos, de seu governo sobre o fechamento de fóruns de discussão.
Eu, aqui, de minha parte, webmaníaca e blogueira idem, talvez pela experiência de mais de 30 anos nesta profissão de charme aparente e dose cavalar de brutal realidade, talvez pelo temperamento desconfiado, fico pensando: quando, em algum lugar do mundo e da vida, em qual atividade e sob qual governo, tivemos, temos ou teremos a tal liberdade tão almejada? Continuamos utopistas. O que não invalida os esforços dos Reporters Sans Frontières.
