No verão, a gente enlouquece: só pensa naquilo – naquilo e em chope e milho verde. Queremos tudo, rápido, a qualquer preço. Parece fácil. E queremos agora, antes que seja tarde, antes que comece a chover, antes que seja outono.
A vida passa a fazer sentido. Nada complicado, como nos disseram os filósofos, ou como uma declaração de amor da Charlize Theron. Basta sol, um velho calção de banho e uma tarde pra vadiar.
O verão nos deixa febris: ficamos levianos como cariocas de piada, sofremos visões de barzinhos com mesas nas calçadas e fuga em massa das mulheres de todos os haréns pro nosso bairro. Enfim o amor é livre, principalmente de despesas. Vide Barão de Itararé.
Ao menos uma hora por dia ficamos solteiros, ficamos mais jovens, ficamos mais ricos. Temos o décimo terceiro inteirinho pela frente. O décimo terceiro dará pra tudo – pro avião, pro hotel, pro jantar à luz de velas. Não há extravagância que o décimo terceiro não pague em dobro. Bota dois ovos no bauru. Dois, eu disse. No verão é assim.
No verão pensamos em perder peso, perder a timidez, perder a paciência com o patrão. Estamos fortes, alegres e petulantes. Somos capazes de correr pro mar com nossa musa nos braços, mesmo que ela pese mais de cem quilos.
As outras estações que nos perdoem. Que nos perdoem os céus cristalinos de Porto Alegre no outono, que nos perdoem as neves que desmentem um pouco este país tropical, que nos perdoem os jacarandás – sem falar nas floristas – na primavera.
Não dá pra concorrer com o verão: o verão mexe com nosso desejo, o verão diz que tudo está ao alcance da mão, o verão garante que só depende de nós. Claro, claro, o verão mente. Mas acreditamos. No verão que vem, pode crer, vamos acreditar de novo.
O verão é um político safado – é cheio de promessas, cheio de manhas. O verão é populista como o – bem, deixa pra lá, essas coisas a gente discute no inverno.
Não adianta, pode-se dizer o que se quiser do verão que não adianta. O verão tem uma coisa indestrutível. O desgraçado do verão nos deixa entrever o paraíso aqui mesmo na Terra, sem precisarmos implorar a Deus – menos, claro, na quantidade de surfistas por cima de nossas cabeças.
Deu no Correio do Povo
“Quando os agentes penitenciários foram fazer a conferência da manhã, localizaram o corpo de uma mulher na entrada do alojamento onde um apenado, também assassinado, dormia.”
Howard Jacobson
“Nunca conheci um otimista inteligente.”
Dicionário do mau digitador
Desestrabilizar. Quando a desestabilização é tipo um tsunami.
Deu no Estadão
“Uma pesquisa feita com 2 mil crianças britânicas entre 5 e 16 anos mostrou que 78% delas leem por prazer.”
Interessante, mas o que acontece com as 22% restantes? Quem são essas 2 mil crianças? De que classe social, etnia, religião? São de colégios públicos ou particulares?
Quando uma pesquisa trabalha com um universo muito limitado, os dados não servem pra muita coisa, além de pagar o salário dos pesquisadores.
Chauncey Starr
“Somos avessos a deixar que outros façam conosco aquilo que prazerosamente fazemos contra nós mesmos.”

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