Quando trabalhava em redação de jornal, dava um suspiro cada vez que o telefone tocava. Em 90% das vezes era algum assessor de imprensa perguntando se eu havia recebido a sugestão de pauta, se eu publicaria o conteúdo ou quando a notícia seria divulgada. Era chato demais! Mas eu entendia que do outro lado da linha havia um profissional aflito em dar resultado.
Nesta semana, me dei conta de que estava do outro lado da história: perguntando para um jornalista quando publicaria minha sugestão de pauta. Eu sei, o mundo dá voltas! Precisei parar, refletir e dizer para mim mesma: se o conteúdo é bom, já foi aprovado pela redação, tenha calma, Anelise! Não seja chata!
Já falei aqui para darmos mais valor ao impresso e, mesmo em época de tecnologias, o jornal continua sendo um espaço nobre e desejado pelos empresários. Eles querem aparecer nas páginas porque ajuda a fortalecer as marcas, dá credibilidade e algum resultado!
Só que as páginas estão cada vez mais escassas. Assim como o tamanho dos jornais, as equipes também foram enxugadas e o número de pautas que chegam não é proporcional à quantidade de pessoas que trabalha para publicá-las. Sem falar que as redações ainda recebem sugestões sem pé nem cabeça: sem conteúdo inteligente, muitas vezes com assuntos que sequer dizem respeito à editoria enviada (lembro bem que a quantidade de releases bizarros era tão grande, que os colegas de redação chegaram a criar uma pasta para arquivá-los!).
No meio dessa confusão de releases que chegam nas caixas, há muitos jornalistas organizados que hierarquizam conteúdos e colocam prioridade em algumas publicações que têm prazo de validade.
Imagine o trabalho de quem trabalha na área de economia num momento desses! Dólar em constante alta, coronavírus afetando as bolsas, declarações preconceituosas do ministro Guedes… e mais tantas outras coisas que surgem pelo caminho. Falta tempo (e espaço) para tanta notícia!
A colunista da GaúchaZh Giane Guerra, uma das mais importantes da área de Economia, lançou nesta semana uma elegante mensagem no WhatsApp numa lista de transmissão de assessores: “Obrigada pelo interesse nos meus espaços. Estou com uma lista imensa de pautas e espero dar um andamento mais acelerado no Carnaval”.
Achei inteligente e ajuda a economizar o tempo do assessor de imprensa, que não vai precisar mandar mensagem para ela ou telefonar para saber quando sua sugestão irá pra rua.
Giane confia muito no trabalho dos assessores e precisa deles para trabalhar e dar conteúdo exclusivo em seus canais. Ela compreende o trabalho das agências de comunicação, mas pede compreensão!
Este é apenas um exemplo, mas nos dá a mensagem que precisamos. Eu e você, empresário e assessor de imprensa, precisamos ter mais calma. Se o conteúdo é bom, será publicado!

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