Recentemente, a agência McCann–Erickson divulgou o resultado de uma pesquisa, realizada em 10 países, entre eles o Brasil. A pesquisa procurava estabelecer os valores associados a cada uma das marcas-país. Ou seja, estabelecer que atributos cada um dos países pesquisados traz consigo.
A pesquisa foi realizada com habitantes de outros países e com os dos próprios países. Assim, a marca Brasil foi avaliada tanto por brasileiros como no exterior.
No exterior, nossa marca ainda está diretamente relacionada à praia, sensualidade, futebol, música. Não são necessariamente atributos negativos. Mas, no caso da pesquisa, são. Primeiro, porque nos vincula a outros países tropicais, sem conseguirmos estabelecer uma diferenciação. Depois, porque estes atributos são vistos em seu exagero, ou seja, de que seríamos um país onde isto acontece em larga escala. Só iríamos a praia, faríamos sexo, jogaríamos futebol e batucaríamos um sambinha. Não há nada demais nisto? Então imagine algum empresário estrangeiro que deseja investir no Brasil.
Um dos pontos mais negativos na imagem do Brasil no exterior-e mais danoso aos negócios internacionais- é a da falta de seriedade. A falta de seriedade, em negócios, é o suicídio, não apenas para o Brasil, mas para qualquer pessoa ou empresa.
Esta falta de seriedade está diretamente relacionada ao famoso jeitinho brasileiro. Os brasileiros têm, por hábito, acharem que para tudo há algum jeitinho, que dá para não ser tão rigoroso, que a coisa não é bem assim. Só que, de um modo geral, a coisa é bem assim.
E por que isto ocorre? Não vou analisar as razões culturais históricas que nos transformaram em um povo do jeitinho, pois precisaria muito mais do que o espaço desta coluna. Mas entendo que se por um lado somos campeões em leis, por outro também o somos no não-cumprimento. Ainda somos, sim, um país em que a impunidade é a regra. Caso não fosse assim, as pessoas se preocupariam muito mais em não transgredirem, não dizerem o que não cumprirão, não prometerem o que não entregarão. Decididamente, temos que dar um jeito no jeitinho.
De outro lado, até para não ser um negativista, temos atributos positivos associados ao Brasil, como a criatividade e a alegria. A criatividade é uma preciosidade no ambiente corporativo, bem como nas artes. Assim, termos a pecha de criativos é amplamente favorável. Nossa miscigenação racial deve ser responsável pela nossa criatividade. Misturamos muitos povos, histórias e culturas. O resultado só podia ser uma efervescência criativa.
Em um mundo cada vez mais sisudo, quem não quer estar próximo de alguém alegre? Alegria é um dos mais raros ativos dos dias de hoje. As pessoas estão reiteradamente tensas, um inimigo da alegria. O que não pode ocorrer é esta alegria se transformar em uma alegria alienada, como os militares tentaram fazer com o futebol nos anos de chumbo, transformando-o no ópio do povo. Alegria consciente, este é o tom certo.

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