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Mudança de hábito 2

A recente implantação da lei seca em Porto Alegre e no Brasil fez com que mudássemos alguns hábitos, além do mais óbvio, que é …

A recente implantação da lei seca em Porto Alegre e no Brasil fez com que mudássemos alguns hábitos, além do mais óbvio, que é o de não dirigir após beber. Em conversa com o pessoal das empresas de bebidas, eles me dizem a mesma coisa: houve mudança, sim. Mas que mudança foi esta, então?

Primeiro, que as pessoas de fato não estão dirigindo após beber(ou houve uma drástica redução no número de pessoas que faz isto). Além disto, as pessoas passaram a beber em casa. Fato confirmado pelas indústrias de bebidas: o consumo nos restaurantes e bares caiu, mas aumentou o consumo nos supermercados. Assim, as indústrias de bebidas alcoólicas não terão, ao que tudo indica, variação significativa nas vendas e faturamento. A venda simplesmente foi deslocada.

Outra mudança que veio a reboque desta foi o fato de as pessoas confraternizarem mais em casa. Independentemente da questão bebida, há um fator positivo aí: encontrarem-se em casa gera uma intimidade maior, uma proximidade maior.

Também se pensou que os motoristas de táxi seriam os grandes beneficiados com a lei seca, mas não está acontecendo isto, exatamente porque as pessoas estejam celebrando mais em casa. Apesar das queixas dos taxistas, entendo que se convido um casal de amigos para vir a minha casa, quando tomaremos vinho, eles também terão que pegar um taxi. Este é um ponto a conferir, ainda.

Mas a questão fundamental que quero colocar aqui é que, de tempos em tempos, em função de várias coisas, vamos mudando nosso comportamento, nossos pontos de vista. Lembro que na minha infância fumar era superlegal, que os carros tinham cinto de segurança só para serem colocados debaixo do banco de trás. Isto mudou radicalmente.

Há mudanças que são boas, outras nem tanto. Há pouco que o ovo, em especial a gema de ovo, foi novamente liberada para consumo. Tinha assumido um status de coisa ruim, de algo danoso à saúde. E se viu, finalmente, que não era assim e que, pelo contrário, o ovo é necessário à saúde humana. Assim como tudo na vida, depende da dose.

Por fim, nota saudosista, de algo que mudou e que não sei se foi tão bom mudar: antigamente, a gente só comia doces de Pelotas e sonhos de Santo Antônio da Patrulha in loco, ou seja, indo até lá. Ou quando vinha alguém de lá, trazendo aquelas delícias até meio escondidas, contrabandeadas…rs. Nossa…era uma festa quando minha tia-avó vinha de Pelotas, trazendo ninhos de fios de ovos, bem-casados e muitas outras delícias. Hoje em dia encontramos coisas de todo o mundo na nossa aldeia. Sabe que eu não sei se é bom? Tá, podem me acusar de romântico ou retrógrado. Mas que algumas delícias da vida perderam seu status mágico, isto perderam. Há mudanças de hábito que vêm para bem, outras nem tanto.

Autor

Flavio Paiva

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