O homem foge daquilo que diz que é o que mais procura na vida: a liberdade. Passa a vida se escondendo atrás de outras pessoas, de outras escolhas, de outras opiniões, para não precisar exercitar a sua. Jean Paul Sartre já falava da escravidão da liberdade, que nada mais é do que a possibilidade de o homem escolher sobre tudo, sobre sua vida.
Por isto a sociedade está tão imbecilizada. Por covardia. Covardia de fazerem as escolhas e arcar com as consequências. Para evitar o risco e a eventual frustração e principalmente o medo, os homens passam a ser fantoches do medo. Deixam que outros decidam as suas vidas. Preferem assim, pois desta forma não precisam nem pensar e muito menos assumir riscos.
Sigmund Freud disse que de uma certa forma somos também prisioneiros do que aconteceu(ou do que sentimos que aconteceu, mesmo que não tenha acontecido efetivamente, o importante é o como sentimos) na infância. Internalizamos a grande maioria das cores emocionais neste período das nossas vidas. E é a partir delas que vamos pintando o quadro da vida. A diferença é que podemos nos libertar(mesmo que parcialmente) destas lembranças e grades emocionais através de processos e insights que nos ocorrem ao longo da vida, bem como através de terapia. Ou não.
Pois é também uma atitude infantil, esta de brincar de esconder-se da vida. Porque trazemos a bagagem emocional da infância, é verdade. Mas também é verdade que nos sentimos protegidos e confortáveis, tendo os pais ou responsáveis tomando as decisões, assumindo os riscos e podendo ser culpados por nós.
Uma sociedade muito infantilizada. Os homens estão de calças curtas e medos longos. Escondidos atrás da barra das saias das mães que vão encontrando ao longo da vida. Sejam elas quem ou o que forem. Podem ser uma torcida organizada, a esposa, um chefe, o sacerdote, o partido político. Experiências que esvaziem de risco a existência.
Porém, junto com o risco elas esvaziam o significado da existência. Trazem o tédio como companhia, pois se tenho alguém tomando as decisões por mim, me insiro dentro de uma zona de conforto, um útero existencial. E assim, vazia de riscos, a vida vai se tornando um grande carrinho de bebê que, como tal, é dirigido por outro que não eu. Confortavelmente entediante. Passam a viver as vidas de outras pessoas, que não as suas. As vidas das “celebridades”, dos vizinhos, a vida que passa na televisão. Esta expressão é totalmente adequada. A vida realmente passa para estes que só ficam diante de um aparelho de tv.
Tem mesmo que ter peito para assumir riscos na vida. Há muitos espinhos, descaminhos e portas para se estatelar com a cara contra elas. E a vida não tem borracha. A incerteza. O risco. O arrojo. A tentativa. A frustração. Ou o sucesso. Só sabe quem teve peito para tentar. Para não se deixar manietar pela vida, pelos outros. Pra tomar para si as rédeas deste cavalo bravo que é a vida.

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