Uma oferta no mínimo inusitada e bem humorada. Claro, para ganhar visibilidade também. A Vanish, empresa australiana que fabrica o famoso removedor de manchas em roupas que leva seu nome, fez uma oferta de US$ 25 milhões para o governo americano, para contratar os naming rights da Casa Branca por cinco anos. Levou em consideração as recentes notícias de crise financeira naquele país e fez a oferta. Provavelmente (a notícia, publicada no Ad Age e que pode ser lida em http://migre.me/5pbLC não especifica) a Casa Branca passaria a ser chamada Vanish White House. Os dirigentes da empresa justificam que é o edifício branco mais famoso do mundo e que é uma escolha racional. Em 2008, para apoiar a campanha de conscientização e prevenção do câncer de mama, a Casa Branca ficou iluminada de rosa, precedente alegado pelo pessoal da Vanish.
Contratos de naming rights são comuns no ambiente cultural e esportivo. Denominar teatros e espaços culturais e em especial estádios de futebol e competições é uma prática pra lá de consagrada. A Copa Libertadores da América já foi Copa Toyota Libertadores, atualmente Copa Santander Libertadores. O Campeonato Brasileiro está sendo chamado de Brasileirão Petrobras. A última edição da Copa do Brasil foi denominada Copa Kia do Brasil. Nos estádios brasileiros, tivemos uma tentativa com a Arena Kyocera, do Atlético Paranaense. Foi malsucedida por uma série de fatores (fazer os torcedores brasileiros chamarem estádios já existentes há décadas por um novo nome, de um anunciante, considero tarefa dificílima. Passar a chamar qualquer coisa por outro nome já não é tarefa fácil, o que dirá um estádio de futebol, com todo o envolvimento emocional existente), dentre eles que os veículos de comunicação que fazem a cobertura do futebol entendem que não devem citar anunciantes que não paguem para aparecer naquele veículo. Em função disto, há um veto não-oficial a estes anunciantes. Bastaria, do meu ponto de vista, que estes anunciantes, quando fechassem os contratos, reservassem uma verba para os veículos de comunicação. Mas esta é outra história. No ambiente cultural, talvez o caso brasileiro mais famoso seja o do Credicard Hall (http://migre.me/5pbOW).
Mas voltemos ao caso da Vanish. O governo americano certamente não vai aceitar a oferta. O valor teria que ser possivelmente de centenas (talvez milhares) de trilhões de dólares (e não milhões) para que Barack Obama pudesse considerar a questão. Porém, a empresa conseguiu mídia editorial e visibilidade para uma iniciativa diferente. Analisou o ambiente, identificou a oportunidade e fez a proposta que ninguém havia feito. Bingo! Ou melhor: gol! Não há nada de tão espetacular na iniciativa, a não ser a sua cara de pau e ineditismo. Mas sair do quadrado (sair mesmo), ter coragem e arrojo não é comum, em especial no ambiente corporativo.
Novidade na coluna!
Uma novidade “nova”: a partir de hoje, terei sempre um convidado enviando um comentário sobre a coluna da semana. O convidado pode ser da área de marketing esportivo ou não, até para gerar uma visão diferenciada sobre o tema. E o estreante nesta modalidade é Zé Adão Barbosa, diretor de teatro conhecido e reconhecido dos gaúchos e brasileiros, personalidade que reúne experiência, inteligência e um enorme bom humor, tão em falta nos dias de hoje. Agradeço ao Zé Adão! Abaixo, seu comentário sobre a coluna de hoje:
“Bueno, acho genial a iniciativa da Vanish. Poderiam oferecer também ao Congresso Nacional ou ao Palácio do Planalto, uma faxina metafórica na imundície geral da República.
Para o setor cultural seria uma dádiva se empresas de porte emprestassem seu nome a espaços que necessitem de verba para manutenção como teatros, museus e outros centros produtores de cultura (temos o exemplo da Concha Acústica do Theatro São Pedro, que leva o nome da Vonpar).
Assim como Sesc e Sesi dão nomes a excelentes teatros, poderiam surgir os teatros Tramontina, Colombo, Copesul, Zaffari, Gerdau, Banrisul, enfim, verba para a cultura nunca será demais.”

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