No momento em que começo a digitar estas linhas são 38 minutos desta sexta-feira.
Acabo de perder, por duas vezes, todo o texto que havia feito e que já estava no final.
Aquele relatório de erro, sabem como é. E que surgiu quando eu falava em determinada pessoa que vai aparecer neste texto de qualquer maneira.
Então, resolvi começar pelo fim, para ver se vai.
Eu estava dando aquele toque final comentando que há coisas estranhas acontecendo em nossa volta a toda hora e que envolvem amigos, ou pessoas que consideramos no mínimo parceiras.
Eu falava da minha briga com o Ministério da Previdência, que me pegou para idiota da vez, primeiro bloqueando ilegalmente meu benefício para que eu corresse atrás de informação. Nenhuma informação me deram. Gastei com advogada para ir atrás do que poderiam ter me dito por telefone ou mail. E para saber que teria de apresentar defesa diante do encontro de “irregularidades” no meu processo de aposentadoria.
Irregularidades que eles próprios cometem, ao duvidar de períodos que constam da Carteira do Trabalho. Ou são preguiçosos ou mal-intencionados (acho que as duas coisas) estes auditores do INSS, pois se se dessem ao trabalho de olhar o documento trabalhista, veriam que o que cobram lá está. E o que cobram e que não está na carteira certamente tem justificativa.
Estou enfurecida com o que estão fazendo comigo e no meu blog Clinica da Palavra dou seguimento ao que iniciei aqui, no Coletiva, contando o passo a passo do que me está acontecendo. Inclusive comentando a reação dos nossos ilustres representantes em Brasília à nota que ZH publicou, sem citar meu nome, e que enviei à Rosane de Oliveira, em que eu reclamava da falta de consideração de senadores e deputados em não dar uma resposta à mensagem que eu lhes havia enviado relatando o que me ocorria. Texto publicado aqui e que seguiu tanto para o Ministério da Previdência, que o ignorou, como para os endereços de mail que constam dos sites do Congresso e da Câmara. Claro que, quando a Página 10 publicou meu deboche, a coisa mudou de figura.
A assessoria de imprensa de Pedro Simon fez contato na mesma noite, por mail, comigo, mais preocupada em provar que a errada era eu por não ter enviado o texto para o endereço eletrônico que eles acessam, quando seria mais fácil dizer que aquele endereço para o qual mandei não é usado. Meu colega prometeu, ainda, seguir de perto o que estava acontecendo comigo, mas nunca mais se deu ao trabalho de responder meus outros mails. Ok.
Tudo bem. Só não esqueçam que ninguém está livre do que aconteceu comigo e nesta ditadura em que vivemos, que se cuidem todos, inclusive o nobre coleguinha jornalista que me escreveu.
Paulo Paim, que usa e abusa dos aposentados para se promover, nem à ZH respondeu. Mas o que esperar de um petista, convenhamos.
Já o senador Sérgio Zambiasi não só me escreveu de seu mail pessoal como foi o único a oferecer e a cumprir com a ajuda prometida. Graças a ele, fiquei sabendo que, segundo o gabinete da presidência do INSS, tudo está ok, embora aqui, no Sul, eu esteja ainda precisando da ajuda de advogadas, juntando pastas e pastas de quase 40 anos de trabalho para provar que não sou desonesta.
Mas o que mais me chateou envolve uma pessoa para quem fiz campanha, meu ex-colega de jornalismo e parceiro de governo, que me decepcionou profundamente e que era, na verdade, a pessoa com quem eu contava para, ao menos, me dar uma indicação sobre por onde começar para desmanchar esta trama persecutória: Ibsen Pinheiro. Ele, quando era secretário de Comunicação do Governo do Estado, me encaminhou, via Afonso Licks, seu assessor direto, a jornalista Cláudia Rejane do Carmo, que fora secretária de Germano Rigotto, para integrar minha equipe na Secretaria da Cultura. Uma pessoa correta, faço questão de dizer aqui, e em quem confiei quando me indicou, para encaminhar meu processo de aposentadoria, o senhor Gilberto Dresch, falecido há dois anos, um despachante que fizera a aposentadoria de seu marido, também colega José Antonio Zulian, na época assessor do BRDE.
Pois meu querido amigo Ibsen, a quem, em sua despedida palaciana, presenteei com um livro antigo de Henrik Ibsen, sequer mandou um assessor de seu último escalão responder ao mail em que eu relatava meu estupor com o que me estava ocorrendo.
Que triste isso! Mas vai ver ele está mais preocupado em fazer o texto necrológico de brincadeira que Paulo Sant’Anna anunciou em ZH.
Não reivindico privilégios. Apenas conto sobre o desapontamento que sobrevém quando a gente acha que tem amigos ou, ao menos, simpatizantes de longa data. Ainda lembro a alegre visita que Ibsen e sua esposa, minha querida Laila Lontra Pinheiro, também minha ex-colega, fizeram, num sábado pela manhã, ao Correio do Povo onde meu igualmente querido Márcio Pinheiro começava a trabalhar como estagiário na seção de Variedades em que eu atuava como editora nas férias de Tuio Becker. Também lembro do telefonema que dei a Afonso Licks, vibrando, quando vi Ibsen sendo inocentado das acusações da história dos Anões do Orçamento. Eu estava em Brasília, a serviço, e com emoção telefonei para saudar o ocorrido. Incrível: um cara que sentiu o que é injustiça na pele, ter tamanha insensibilidade!
Enfim. Estou nesta luta. Vou continuar falando, abrindo tudo em espaços em que posso relatar, não me intimido. Não tenho rabo preso e muito me estranha que, de centenas de pessoas que usaram o mesmo despachante que me foi indicado, incluindo pessoas que trabalhavam na Assembléia Legislativa, colegas ou não de jornalismo, apenas eu tenha sido importunada.
Queria hoje estar voltando aqui para falar de coisas leves ou menos pessoais.
Mas não posso. Nem quero. Desejo até que isso tudo que conto fique como registro de um período negro não só da minha vida, mas da vida deste país.
A minha vida fica marcada com o antes e o depois deste episódio canalha que estão me imputando. De toda forma, para quem saiu da vila do IAPI, filha de sapateiro, sempre foi aprovada por média em todas as etapas escolares, trabalha desde o segundo ano de faculdade, sobreviveu à ditadura militar e ao terror urbano da esquerda louca, escreveu livros e foi premiada, tem uma família maravilhosa e nunca teve ou terá medo de combater o bom combate, isso tudo é só mais uma pedra no caminho.
Juntarei todas estas pedras e, um dia, vou construir um túmulo negro para todos que me injustiçaram.
