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Negociação: qual assinatura você deixa na mesa?

Negociar está longe de ser um ato restrito às salas de reunião. A negociação acontece no corredor da empresa, na definição de prioridades, na gestão de conflitos, na defesa de uma ideia e até no silêncio estratégico de quem sabe a hora de falar e a hora de esperar. No mundo profissional e na vida, negociar bem deixou de ser diferencial. Virou competência básica de sobrevivência e crescimento.

Mas negociar não é apenas buscar vantagem. É, antes de tudo, entender pessoas. E talvez esteja aí o ponto mais fascinante desse tema: cada negociador carrega um estilo, uma maneira própria de ocupar a mesa, conduzir a conversa e reagir à pressão.

Há quem entre em campo para vencer. É aquele negociador com perfil mais competitivo, direto, firme, orientado por resultado. Esse negociador não costuma rodear o assunto. Quer chegar logo ao ponto, proteger suas convicções e sair com a sensação de que fez um grande acordo. Quando bem dosado, esse estilo transmite força e segurança. Quando exagerado, pode transformar pontes em muros.

Na outra ponta está o colaborativo, que enxerga a negociação como construção, não como combate. Ele escuta, compartilha, propõe, ajusta. Seu foco está no acordo que faça sentido para todos os envolvidos. É o tipo que entende que uma boa negociação não termina na assinatura, mas na qualidade da relação que permanece depois dela.

Existe também o negociador conciliador, figura rara e valiosa em tempos de tanta pressa e tanto ruído. Ele tem sensibilidade para reduzir tensões, aproximar posições e encontrar o ponto de equilíbrio quando o diálogo parece prestes a romper. Mais do que convencer, ele busca reconectar.

Um outro perfil seria aquele que privilegia a estruturação da negociação, confiando menos no improviso e mais nos fatos. Chega preparado, observa detalhes, mede riscos, organiza argumentos e constrói sua posição com base em dados concretos. Sua força está na clareza e na objetividade. Seu desafio, porém, não raras vezes, é não deixar que o excesso de dados, cálculos e ausência de emocionalidade negocial esfriem demais a conversa e a torne menos persuasiva.

Na prática, os grandes negociadores não vivem presos a um único perfil. Eles combinam traços, aprendem com a experiência e moldam sua atuação conforme o contexto. Sabem ser firmes sem arrogância, empáticos sem ingenuidade, estratégicos sem frieza. Criam, com o tempo, uma assinatura própria — uma marca pessoal de negociação.

No fim, negociar bem é menos sobre dominar o outro e mais sobre dominar a si mesmo. É saber que resultado importa, mas que reputação também pesa. E muito. Porque toda negociação fecha um acordo, mas também revela caráter. E, no longo prazo, são justamente os profissionais que aprendem a equilibrar inteligência, sensibilidade e coragem que deixam de apenas negociar oportunidades — e passam a construir caminhos.

Autor

Beto Carvalho

Beto Carvalho é consultor, mentor e conselheiro Empresarial, escritor e palestrante. Executivo com mais de 25 anos de experiência diretiva em empresas nacionais e internacionais, foi recentemente diretor-executivo de Marketing do Grêmio, tendo sido eleito em três oportunidades, o melhor executivo de Marketing de Clubes do futebol brasileiro. Escritor, Beto Carvalho é autor dos livros A Azeitona da Empada (2007), A Cereja do Bolo (2009), Você é o Cara (2011), Diferencie-se (2023) e O Bolo do Sim (2025).
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