Lamentavelmente, tenho que voltar ao tema. O recente episódio envolvendo Neymar, jogador do Santos, põe em evidência o total despreparo dos jogadores (a grande maioria) para lidarem com a fama que obtém.
Neymar saiu de dedo em riste, investindo contra jogadores do time adversário, na última partida do Santos. Não estou entrando no mérito se ele foi realmente atingido ou ofendido pelos jogadores adversários. Ao que tudo indica, foi. Porque o Neymar é driblador, faz firulas e isto acaba irritando os zagueiros do outro time. Não estou justificando os jogadores baterem no Neymar, é claro que está errado. Mas contextualizando. Ontem, ainda, o pai de Neymar deu declarações dizendo que achava o filho injustiçado, perseguido. Um coitadinho, resumindo. E aí é que está o despreparo da coisa.
Neymar é um vitorioso e como tal deve se sentir. Ocorre que, pelo comportamento e declarações recentes do atleta, ele está claramente despreparado para o destaque que atingiu, tanto do ponto de vista futebolístico, no gramado, quanto como personalidade, fora das quatro linhas. Não está sendo nem inteligente nem mostrando traquejo para lidar com as demandas inerentes a quem atinge o sucesso. Um jogador que já tem destaque mundial não pode sair de dedo em riste, destemperar-se desta forma, investindo contra jogadores do time adversário. Este tempo já passou. As empresas patrocinadoras investem pesado nos atletas e associam suas imagens de marca às imagens públicas destes jogadores. Portanto, eles têm responsabilidade perante os seus patrocinadores, de tal forma que não podem se dar ao luxo de ataques de fúria, destemperos ou reações impensadas. Este papel público faz parte das funções dos jogadores de futebol, tanto quanto fazer treinos físicos e táticos.
Além disto – e é algo em que estou batendo firme – os atletas têm uma responsabilidade social muito grande. Eles são exemplos para os nossos filhos e para a sociedade em geral. São os chamados formadores de opinião. Estou cansado de ver barbaridades cometidas por atletas, como inclusive citei em coluna anterior, passarem impunes. É hora de as pessoas assumirem suas responsabilidades. A imagem de um atleta é um patrimônio tão importante quanto suas habilidades futebolísticas. Está mais do que na hora de os jogadores, assim como é feito com o seu futebol, sejam formados também para a vida pública, em sociedade e que assumam suas responsabilidades como ícones, como aglutinadores dos olhares e formadores de opinião. Chega de amadorismo, por favor.
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Pocket-entrevista
A pocket-entrevista desta semana é com Fernando Chacon, VP de Marketing do Itaú-Unibanco. Resolvi conversar com ele pelo fato de o Itaú ser um dos patrocinadores da Seleção Brasileira de Futebol e um investidor, há muitos anos, nas transmissões esportivas, em especial do futebol da TV Globo. Abaixo, duas perguntas e suas respostas:
1) Em que momento o Itaú identificou o futebol e o marketing esportivo como uma ferramenta importante dentro de sua estratégia de comunicação? E por quê a opção pela Seleção Brasileira?
Há tempos o Itaú valoriza o esporte por meio de patrocínios e apoios institucionais. O envolvimento do banco com o futebol, grande paixão dos brasileiros, começou há cerca de 20 anos, com o patrocínio das transmissões na Rede Globo dos jogos de diversas competições. Nesse contexto, o patrocínio para a Seleção Brasileira de Futebol está alinhado aos nossos valores de investir sempre no que o Brasil tem de melhor e no que ajuda a fazer o país ainda melhor. Acreditamos que o futebol exerce papel fundamental para a união dos povos e por isso apoiamos fortemente essa modalidade. Ainda no futebol, fomos os primeiros e únicos patrocinar a participação do Brasil no BID a acreditar na Copa de 2014 no Brasil, que abriu caminho para fecharmos o patrocínio junto à Fifa para esta mesma Copa. Além do futebol, temos forte apoio também ao tênis nacional, por meio da Copa Itaú de Tênis, nas categorias escolar e universitário, que já acontece a dois anos consecutivos, e também com apoio ao Centro de Treinamento de Tênis Itaú / Instituto Tênis, apostando nos jovens talentos desse esporte.
2) O banco planeja ampliar seus investimentos em marketing esportivo de agora até a Copa do Mundo 2014?
Somos patrocinadores tanto da seleção brasileira quanto da Fifa na Copa 2014 e é mais do que nunca necessário estruturar e planejar nossas ações com vistas a esses dois patrocínios. Contratamos uma consultoria para potencializar todas as oportunidades existentes por conta desses dois aportes. Essa empresa, a norte-americana Ideo, deve ajudar o Itaú no planejamento de ativação dos dois patrocínios nos próximos quatro anos de maneira estruturada.

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