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Nós e eles, à moda do PT

Falta pouco. Domingo, 3 de outubro de 2010, o Brasil volta às urnas para um ato que, não faz muito, durante duas décadas, ansiou …

Falta pouco. Domingo, 3 de outubro de 2010, o Brasil volta às urnas para um ato que, não faz muito, durante duas décadas, ansiou quase em desespero: escolher seu representante máximo. Já não temos mais tacões marchando nas avenidas, tampouco tanques de guerra amassando paralelepípedos. Tampouco células terroristas sequestrando inocentes e largando bombas em aeroportos. Vivemos um momento mágico. Ou não é?

Mais que isso: somos ricos, respeitados além-fronteiras, nos damos ao luxo de enfrentar o maior inimigo de todos os povos, aquele país odioso chamado Estados Unidos da América, e abraçamos gente decente como Fidel e Ahmadinejad que, afinal, só matam porque precisam defender o povo de seus irmãos que pensam diferente. Podemos pedir mais que isso?

Conseguimos ainda fazer uma coisa inédita: inchar o aparelho estatal com milhares de cumpanhêros, suas mães, seus filhos, maridos, namoradas e, ao mesmo tempo, instigar o capitalismo de Gordon Gekko enquanto festejamos, salve salve, a reestatização da Petrobras sob a farsa de torná-la acessível a todos. Quem, ora diabos, não tem dinheiro para comprar uma açãozinha que seja para colocar num quadro em cima da sua nova geladeira, como símbolo de nossa prosperidade?

Ingratos, golpistas, gente recalcada e insatisfeita – poucos, é verdade – vociferam contra toda esta maravilha. Mas estes serão derrotados, esmagados, moralmente abatidos, já que teimam em não ver que o mais bondoso e bem-sucedido presidente de todos os tempos só quer cuidar de seu rebanho com amor, dedicação, absoluta transparência e, claro, desinteresse pessoal. Para estes, a força do poder. Tolerância zero.

Esta gente que não tem mais sensibilidade suficiente para entender que não entende nada, que é apenas uma ínfima parcela de reacionários com saudades do tempo em que a elite dominava estas terras, estes não interessam mais. Ficarão à margem da História, remoendo sua incompreensível indignação com o que não suportam ver e viver, esta insustentável leveza do ser brasileiro no que já entrou para livros de História como a Era Lula.

Um dia, este grupelho que malha em ferro frio fazendo acusações sem sentido, e que azeda qualquer conversa com sua insana insatisfação de frustrado incurável, todos estes imbecis serão esquecidos. No máximo, serão motivo de um meneio de cabeça e um riso de escárnio. Ou, numa lição de humanidade dos que tudo sabiam e sabem, ganharão um tapinha na cabeça, um olhar de piedade, a caridade de serem deixados em paz – coitados!

Os que discordam do Brasil de Lula, Dilma, Zé Dirceu, Franklin Martins, Marco Aurélio Garcia e tantos outros abnegados são incapazes de entender que um Estado forte precisa de muitas Erenices para cumprir sua missão revolucionária, em benefício do povo. Precisa, acima de tudo, de disciplina, porque excesso de liberdade de expressão, sobretudo nesta imprensa vendida, é o câncer que corrói as instituições tão bem cuidadas pela versão tosca do Grande Timoneiro. Esta gentalha precisa, em suma, saber do seu papel neste palco: nenhum, porque não se encaixará jamais no Grand Guignol instalado em Brasília há 8 anos.

Autor

Maristela Bairros

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