Deu no UOL: “Mundo não acaba em 2012, diz astróloga Susan Miller”. Um gaiato deixou um comentário: que pena, eu tinha tantos planos pro fim do mundo. Mas as previsões dessa moça são clicadas por 18 milhões de pessoas por mês, metade norte-americanas, o resto espalhado mundo a fora, já que acreditar em bobagem não tem fronteiras. Susan Miller assina colunas em revistas na Turquia, Japão, Coreia, Hong Kong, além dos Estados Unidos. E ameaça vir ao Brasil.
Se você quer acreditar em astrologia, tudo bem, não tenho nada com isso. Mas, por favor, não venha me dizer que é científica — por séculos se fizeram previsões baseadas em posições que os planetas não ocupavam há mais de mil anos. Depois, quem disse que a ciência não erra? A medicina é científica e todo dia alguém estica as canelas por causa dela.
O mistério dos potitos
Me deparo com um Concurso de Potitos numa tradução. Potinhos? Vou ao amansa burro da Real Academia de Madri. É a papinha pros nenês. Concurso de Papinha. Não faz sentido, porque em seguida se fala de moças com tangas invisíveis rebolando diante do nariz de velhos senhores. Googleio. Nem precisava, mas gosto de fazer a prova dos nove. A primeira coisa que acho é uma argentina que ganhou um dos ditos concursos: muito bonita, com os dois potitos virados pro meu lado. Agora, alguém me explique, como os bumbuns se tornaram potitos na Argentina e no Chile? Por aqui, digo, em Pindorama, apesar de macios, os potitos são bem mais firmes que uma papinha. Sem falar que, se as línguas tivessem alguma lógica, potitos deviam ser os seios.
Citação
Gore Vidal cita, na introdução de “Sonhando a guerra — Sangue por petróleo e a junta Cheney-Bush”, a falecida comediante Hermione Gingold que, ao comentar a longa jornada de sua vida, disse: “Parece que já experimentei de tudo, menos o incesto e a dança folclórica”. Sim, sim, achei isso muito engraçado, mas reconheci em mim mesmo o sentimento que moveu Hermione. Isso não foi muito engraçado.
Máquina de fazer guerra
Segundo Vidal, os Estados Unidos são uma máquina de fazer guerra — desde 1947-48 até 2000 tinham entrado em mais de 250 conflitos militares, sem contar as encrencas arrumadas pela CIA, como a derrubada de Allende no Chile. É um estado dominado por corporações que lidam com armas, energia e informação (ou desinformação, dado o nível de distorções e mentiras espalhadas), e que possui um único partido dividido em duas alas que se alternam no emprego de obedecer a essas corporações, mesmo assim fraudando mais de uma eleição presidencial.
Em “Sangue errante”, James Ellroy pinta um Estados Unidos chafurdando em sangue, corrupção, preconceitos loucos e uma total futilidade. Onde fica o famoso modo de vida americano, a famosa democracia? Se os Estados Unidos são metade do que Vidal e Ellroy afirmam, trata-se da nação mais escrota, usando descaradamente métodos que os romanos, nos bons tempos de seu império, tratavam de disfarçar com alegações jurídicas.
Buñuel
O velho Luis Buñuel, diretor de alguns dos melhores filmes que já vi, disse que a nação que tem o poder nos impõe até seus autores de segunda. Pergunta: quem leria Hemingway se ele tivesse nascido em Assunção, no Paraguai?
O pior, me parece, é o avesso disso. Porque a gente pode muito bem deixar Hemingway de lado, ou a legião de outros americanos piores que ele que nos vendem como gênios, mas dificilmente americanos ou outros povos poderão ler um Drummond, por exemplo.

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