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Notícias na madrugada. Vitória do jornalismo

A maioria dos jornalistas que conheço é notívagos, alguns são madrugadores e outros são “normais”, mas todos se interessam por novidades no jornalismo. Mesmo …

A maioria dos jornalistas que conheço é notívagos, alguns são madrugadores e outros são “normais”, mas todos se interessam por novidades no jornalismo. Mesmo que em horários pouco convencionais, como a madrugada. Minha intenção inicial era abordar nesta coluna a validade dos programas jornalísticos na madrugada. Depois, ouvindo alguns comentários sobre o evento realizado pela RBS, mudei o foco. Há quem não goste da RBS, tem esse direito, mas não se pode negar que muitas iniciativas do Grupo são elogiáveis. Esta foi uma delas.

Na última terça-feira Porto Alegre foi palco de um grande evento, Vox,  com intenção de provocar reflexões sobre a comunicação a partir do compartilhamento de conteúdo e experiências. Inspirado em iniciativas bem sucedidas do exterior, como o festival SXSW e o evento Zeigeist, promovido pelo Google, o Grupo RBS convidou personalidades ligadas à inovação, literatura, jornalismo, artes, gastronomia e tecnologia para trazer contribuições ao debate sobre o futuro da comunicação.

Pelo que pude recolher, na lista dos convidados que falaram nesta primeira edição, estavam a chef (gaúcha) Carla Pernambuco, o pesquisador Ronaldo Lemos, o performista espanhol Pep Bou, a empreendedora Lorrana Scarpioni e o jornalista Xico Sá. Também foram confirmadas as participações de Luciano Huck, Fernando Grostein Andrade, Paulo Lima, Nilton Bonder e Sonia Bridi, entre outros.

“O objetivo é compartilhar conhecimento e estimular inovação. Nos inspiramos em eventos como o Zeitgeist, do Google, em que os participantes têm acesso a conteúdos muito ricos e, ao mesmo tempo, desfrutam de experiências sensoriais diferenciadas”, disse Eduardo Sirotsky Melzer, presidente do Grupo RBS. Antecipou que seria “um mix de experiências e conteúdo, apresentado por gente bacana do Brasil e do exterior”.

Vox contou ainda com o lançamento da investigação The Communication (R)Evolution, que aponta novos caminhos para o mercado da comunicação. O trabalho foi desenvolvido pela cineasta Flavia Moraes, que acaba de assumir o posto de diretora-geral de Inovação e Linguagem do Grupo RBS, e envolveu mais de 150 entrevistas com profissionais de diversas áreas e perfis, realizadas entre julho de 2013 e maio deste ano em cidades do Brasil e do exterior. Esse tipo de abordagem é realmente fantástica e precisa ser valorizada por quem gosta e está envolvido com o jornalismo.

A lista de personalidades ouvidas na pesquisa inclui nomes como Nick Bilton, colunista e repórter do New York Times; James Canton, futurista que colabora com a Casa Branca e com a Apple e é CEO do Institute of Global Futures; Roy Sekoff, fundador e editor do The Huffington Post; e Ben Moskowitz, coordenador de novos programas do Mozilla e professor na Universidade de New York. Por tudo o que representa o tema, o momento, a evolução, as dúvidas, o futuro do jornalismo, merece atenção sim.

Porém, de uma forma bem mais simples e direta, resolvi comentar sobre uma tendência que se acentua em determinados tipos de mídia, principalmente televisão e rádio: os programas jornalísticos de notícias na madrugada. E cada vez mais cedo. Na verdade, já estão “acordando o galo”, como se diz no interior quando alguém acordava antes de o galo cantar. Tudo pela audiência! Mas, ao contrário do que pensava antes, que poderia ser uma sobrecarga de informações, de saber que realmente há público para esse horário, pensei e repensei e cheguei à conclusão que se trata de uma vitória do jornalismo. A conquista de espaços é fundamental. Recentemente a RBS fez ajustes na grade da programação da Rádio Gaúcha e, lá na madrugada, o Rafael Colling comanda um programa esportivo. Agora, na parte da manhã, outro programa novo, em formato mais curto substitui o “Polêmica” do nosso querido amigo Lauro Quadros: Timeline Gaúcha. Comandada por David Coimbra, Kelly Matos e Luciano Potter, a atração tem a proposta de informar os ouvintes de forma direta e pessoal.  Antes, em setembro, a Gaúcha havia lançado o programa Esporte & Cia, com apresentação de Rafael Colling, substituindo o Gaúcha na Madrugada.

Enfim, o jornalismo se renova, no rádio e na televisão com mais força, como mostra a iniciativa da Rede Globo ao lançar o telejornal Hora Um, com a Monalisa Perrone, para não deixar o horário apenas com a Record, que merece aplausos pelos amplos espaços dedicados ao jornalismo, e ativou o horário matinal, que antes era da Globo com  Bom Dia Brasil, mas um tanto tarde. Enfim, para notívagos há os canais como GloboNews, Record News, BandNews e outros… E os madrugadores podem se deliciar a partir das 5 horas com as notícias mais fresquinhas do dia e as últimas da noite anterior. Mais jornalismo, mais empregos e valorização da categoria. Agora falta uma mexida boa na mídia impressa.

Autor

Julio Sortica

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