“A cadela do fascismo está sempre no cio” Bertolt Brecht
Daqui a dois dias, entre 31 de março e 1º de abril, o Brasil recorda 62 anos do golpe de Estado que abriu uma das páginas mais tristes, vergonhosas e fétidas da nossa história. Um período em que o próprio aparato militar, que deveria proteger a nação, manchou a sua trajetória com sangue e medo. Um período em que parcelas das elites nacionais se aproveitaram da ruptura democrática para, mais uma vez, explorar e massacrar o povo brasileiro.
Foram mais de duas décadas de tortura, assassinatos, desaparecimentos, censura, roubos, corrupção e impunidade. Famílias destruídas, vozes silenciadas, ideias perseguidas. O medo transformado em política pública. A violência transformada em método. Não há romantização possível diante disso. Não há narrativa que apague a dor de quem sofreu. Quem idolatra esse período ignora fatos históricos amplamente documentados e fecha os olhos para a brutalidade que marcou o país.
A ditadura foi uma chaga profunda e seus efeitos ainda permanecem. Ela destruiu o debate político, perseguiu lideranças, alimentou radicalismos e deixou sementes de intolerância que ainda germinam no presente. Ainda hoje existem aqueles que tentam reescrever esse período, que relativizam a violência, que defendem soluções autoritárias como se fossem atalhos para o futuro. São ecos perigosos de um passado que não permitiremos voltar.
Este é um ano de eleição. E lembrar disso é um dever. Lembrar de quem apoiou o golpe, de quem se beneficiou dele, de quem lucrou com a repressão. Lembrar que, há pouco mais de dois anos, vimos uma nova tentativa de ruptura institucional que só não avançou porque as instituições democráticas resistiram. A democracia não é garantida, ela precisa ser defendida todos os dias.
Mais importante que qualquer ideologia é a liberdade. É o direito de escolher, de discordar, de debater. O extremismo nasce quando alguém acredita que suas ideias valem mais que a própria democracia e que, em nome delas, tudo é permitido. A história mostra exatamente onde isso nos leva. Leva à censura, à perseguição, ao desaparecimento, ao medo.
A ditadura pode até ter sido justificada por discursos ideológicos, mas se sustentou porque foi lucrativa para setores poderosos. Enquanto o povo era reprimido, muitos enriqueceram. Enquanto a liberdade era sufocada, interesses econômicos prosperavam. Usaram a dor alheia como instrumento de poder e acumulação.
Por isso, lembrar não é revanchismo. Lembrar é proteção. Lembrar é garantir que a história não se repita. Lembrar é afirmar que a liberdade é inegociável e que nenhum projeto de poder pode se sobrepor ao direito do povo de escolher o seu destino.
A memória é a nossa defesa. A democracia é a nossa escolha. E que fique claro, alto e definitivo: não aceitaremos nunca mais ser governados à força, muito menos, por canalhas como vocês!


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