Sempre que Rubens Barrichello vence uma corrida, o que não ocorre com muita freqüência, a imprensa a qualifica como “brilhante”. Os demais pilotos, aparentemente, vencem de forma opaca. No último domingo, então, o ufanismo foi às alturas (falar nisso, acho que a Marcha da Vitória, também
conhecida como “musiquinha do Senna” deveria ser tombada). Rubens foi celebrado em especial por ter ajudado Michael Schumacher a conquistar o hexacampeonato. Na verdade Schummy chegou em oitavo, e isso lhe bastava. Matematicamente, não precisou do colega. Mas admitamos que o primeiro lugar do brasileiro lhe tenha concedido a tranqüilidade necessária para obter o ponto que faltava. Seja como for, Schumacher entrou para a história estabelecendo o recorde de títulos, isso ninguém lhe tira, como também é indiscutível a condição de melhor piloto de seu tempo. Merecido. Resta-nos dar-lhe os parabéns e esperar que possamos voltar a torcer um dia por um brasileiro. Se for o próprio Rubinho, ótimo. Tudo que queremos é que ele chegue lá. Só não peçam, e a mídia parece pedi-lo insistentemente, que os brasileiros comemorem o fato de um conterrâneo ter ajudado outro piloto a ganhar um título.
Eu tinha 12 anos quando Emerson Fittipaldi tornou-se campeão da Fórmula-1 pela primeira vez. Acostumei-me, como no futebol, a esperar pelo título. De 1972 a 1991, ou seja, em 19 anos, ganhamos oito vezes, quase uma vitória a cada dois anos. Foram duas com Emerson, três com Nelson Piquet e três com Ayrton Senna. De 1991, última vitória de Senna, morto três anos depois, a 2003, ou seja, em 12 anos, nem chegamos perto de uma conquista. Então, por favor, não me peçam para ficar feliz porque Rubens, o bom coadjuvante, ajudou Michael, o bom campeão. Puxa, que honra!
F-1 não é jogo de equipe como tênis em dupla ou revezamento 4 x 100. Por mais que insistam nisso, jamais tivemos a noção de equipe neste esporte. Seria como celebrar a vitória de Alain Prost quando Senna era seu parceiro de McLaren. Não inventem.
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A foto de Rubens Barrichello que ilustra este artigo é da jornalista Maria Alice Monteiro 
Fernandes. Mally é filha dos também jornalistas Vera Zílio e Arthur Monteiro. O Fernandes é do marido, Leo, que é diplomata e por isso eles moram no Japão atualmente. Recebei várias fotos feitas por ela em Suzuka (ela sempre manda fotos para os amigos), pedi para usá-las aqui, mas não disse quais. Por isso, aproveito para fazê-la pagar um pequeno mico publicando uma dela no box da Williams. Coisa pouca, afinal, quem não gostaria de estar lá?
* Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha e Dona Deusa e seus arredores escandalosos e da ficção juvenil Elyakan e a Desordem dos Sete Mundos. Integra a equipe da ConsulteCom e escreve semanalmente neste site.

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