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O crocodilo e seus porquinhos

Escrevo, neste exato momento, tentando enxugar minhas lágrimas para melhor enxergar o teclado. Sim. Uma torrente de lágrimas. Fazia tempo que eu não chorava …

Escrevo, neste exato momento, tentando enxugar minhas lágrimas para melhor enxergar o teclado. Sim. Uma torrente de lágrimas. Fazia tempo que eu não chorava tanto, confesso. E agradeço a Dilma Rousseff, a presidente eleita por pouco mais de a metade dos brasileiros, por este momento ímpar de minha vida: vê-la se “comover”, como aconteceu, na reunião do mais honesto partido nunca antes visto neste país, o PT, é algo capaz de gerar epifania até no mais empedernido coração. Obrigada, Dilma, por me fazer chorar de rir com suas lágrimas.

Como então que a durona, a mulher que precisou arriscar a vida dormindo sobre um colchão que encobria armas e baldes com balas, é uma emotiva? Que coisa, hem? Até soluços se anunciaram naquele choro motivado por lembranças cândidas de campanha! Lindo, lindo demais! Imagino o livro que algum jornalista já está alinhavando, e que vai gerar um roteiro de filme a ser produzido e dirigido pelo clã Barreto e, mais tarde, um gibizinho, de algum quadrinista bem cooptado, embora de traço ruim.

Sim. Chorei muito de rir deste teatro de péssima qualidade proporcionado por esta que alguns petistas, na web, já estão chamando, carinhosamente, de Comandante Rousseff. Não tinha como não rir, inclusive da mesmice dos noticiários de televisão, via seus editores, enfatizando este “lado sensível” da invenção de Lula (Lula, aquele, sabem, que era pobrinho, pobrinho e tem, agora, uma coberturinha num edifício também pobrinho em São Bernardo?) e seu bem pago marqueteiro João Santanna.

Como diz meu querido e verdadeiro amigo de quase quatro décadas, não existe terceiro turno, portanto, nada que se faça vai mudar o que ocorreu nas urnas, inclusive a incompetência da oposição ter sido a razão maior do ocorrido. O que não impede ninguém de exercer seu direito de tirar um sarrinho, ao menos, dos jogos de cena em andamento. Principalmente porque o choro de Dilma leva a pensar, imediatamente, na expressão lágrima de crocodilo. Nada mais apropriado do que esta imagem: crocodilos, todos sabem, não choram – derramam lágrimas para lubrificar os olhos quando ficam muito tempo em cima da água.

Mas o mais assustador é ver este bicho cascudo, de presas afiadas e que, obviamente, não tem a menor preocupação com quem vai comer, chorando quando abocanha sua presa. E ele o faz porque, ao morder, pressiona seus canais lacrimais que produzem, obviamente, lágrimas. De crocodilo.

As lágrimas de Dilma e seu discurso conciliador para inglês ver se somam a seu manco senso de humor ao citar, de forma “amistosa” os seus Três Porquinhos Antonio Palocci, José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo. Se eu fosse eles, já ia tratando de fazer um bom bunker de aço para proteção, porque não é o Lobo Mau que vai soprar suas casinhas de palha, madeira ou tijolos para papá-los. Eles são prato de extremo mau gosto. Mas crocodilos, como se sabe, não têm paladar. Só fome.

Autor

Maristela Bairros

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