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O curral de ACM

As eleições brasileiras do último domingo despertaram a atenção dos principais jornais de outros países. A Reuters colocou sua equipe a todo o vapor. …

As eleições brasileiras do último domingo despertaram a atenção dos principais jornais de outros países. A Reuters colocou sua equipe a todo o vapor. Não só para cobrir maletas e dólares, e entre tudo que fez registrou um discurso que marcará época, em plena terra de ACM. O grupo do senador baiano perdeu tudo, e a revista registrou a frase de um opositor: “Eles agiam aqui como se fosse um curral, como se isto aqui fosse uma fazenda que eles mandavam e demandavam”. E foi a Reuters que transmitiu ao mundo um fato histórico para o mundo: um Brasil feudal que raros conheciam. A.Reuters não fez comentários, Mas não deixou de destacar uma frase de Fernando Henrique Cardoso: “Lula é um pouco caudilho, com alguns traços a mais que o peronismo (principal movimento argentino fundado em 1945, com caráter populista)”.

E foi mais longe. Elogiou o Chile de Alan Garcia para depois estranhar que os líderes latino-americanos apóiem.Lula. Garcia foi mais longe, e mandou parabéns a Lula. Não é o que pensa The Boston Globe: “O segundo turno é um sinal de que um escândalo bateu nos eleitores e obrigou Lula a demitir seu chefe de campanha”. E mais adiante: “Com um escândalo após o outro, cortando cabeças atrás de cabeças, Lula tem aspirações de vencer o segundo turno”.

OS TROPEÇOS

Le Monde preferiu uma outra linha que parece muito diversa do que realmente está acontecendo. “No Brasil, a coalizão dos sociais democratas e de direita espera retornar ao poder”, escreveu a correpondente Annier Gassnier. Afirma que o PFL está recrutando pessoas jovens, para tornar os currais eleitorais mais progressistas. Le Monde dedicou atenção a Geraldo Alckmin, o desconhecido médico no extremo sul do país. Ele salienta sua ligação com a Opous Dei, negada pelo candidado.

Novamente a Reuters: “Lula apruma campanha e Alckmin tropeça no segundo turno”. No campo das alianças tem feito progressos com governadores, e alianças promissoras. O que não aconteceria com Alckmin, que não só teria poucos apoios como perdeu alguns. Mas bons desempenhos na televisão – onde, na verdade, se decidirá o debate, num país de analfabetos funcionais – poderá dar pontos a Alckmin.

30 PESSOAS

Como na história de Judas, apenas 30 pessoas se encontravam no Comitê de Lula após o resultado do segundo turno, segundo o El País. Mas eram muito importantes, formavam o comitê de campanha de Lula. As bandeiras tinham ido para casa. El País tem sido o jornal que mais tem veiculado assuntos sobre a América Latina, e defende que a campanha de Lula pretende recuperar não só a esquerda radical como os tucanos descontentes.

“LULA GANHARÁ”

Na política externa, Lula respira bem. O amigo Hugo Chávez, presidente da Venezuela, entende que “Lula é obrigado a ganhar e ganhará”, mas, dentro de suas características pessoais, apressou-se em dizer que não quer interferir na política de outros países. Mas a um grupo de estudantes sugeriu que acompanhassem atentamente as eleições brasileiras, ressaltando que Lula estava à frente.

É sempre bom lembrar que Venezuela e Brasil têm importantes relações econômicas, incluindo os negócios da Petrobrás e da Estatal Petróleos da Venezuela. E entre os interesses mútuos está o faraônico projeto de levar gás da Venezuela ao Brasil.                            

Autor

Iara rech

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