Por que diabos uma moça de 26 anos, linda, milionária, tiraria a própria vida? Aprendemos a aceitar que o suicídio é atributo de velhos, doentes, desesperados, feios, pobres e desvalidos. Sabe-se que não, mas não nos acostumamos com a idéia. Porque aceitar isto é aceitar o imponderável, a depressão das madrugadas, as sombras a encobrir os dias, o escuro do mundo, onde está o que se quer e não se pode alcançar, ainda que nem sempre se saiba do que se trata. Se alguém como a menina da foto aí ao lado é capaz de acabar com tudo, por que não o seríamos também? O que nos prende a este lado? O que nos impede de dar o passo definitivo? Por que a vida é bela? Talvez para os tolos e os afortunados. Não para a maioria num momento ruim em especial. Talvez não para mortais. Nascemos condenados à morte. Não é o bastante?
Para quem estava ocupado demais para saber, a garota se chamava Lee Yoon-Hyung e era herdeira do grupo Samsung, que responde por mais de um sexto do PIB da Coréia do Sul. Podia contar com US$ 172 milhões, para começar. Morava em Nova York, onde se preparava para assumir a fundação cultural do conglomerado comandado pelo pai, Lee Kun-Hee. Aparentemente, enforcou-se no final de semana em seu apartamento, enquanto jovens menos aquinhoados iam para as baladas, ficavam e curtiam a ressaca alcoólica e moral sem culpas, característica primeira desta geração. Por que Lee Yoon-Hyung não podia fazer o mesmo? Ela até que tentou ser normal. Tinha um site, o Pretty Yoon-Hyung (Bela Yoon-Hyung), no qual tentava dizer como se sentia sendo quem era, como toda garota que se preza faz, para gozar e sofrer em público. Deveria bastar. A ela não bastou. Lee Yoon-Hyung era uma garota especial. Dinheiro e mídia não eram tudo. A dor e a delícia expostas em praça pública não a satisfaziam. É provável que jamais conheçamos seus motivos. Como era afortunada, só podia ser tola. Ou quem sabe é a recusa em ser um tolo a mais no mundo que conduz ao desfecho irreversível? Quem pode saber? Nascemos condenados à morte. Não é o bastante?


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