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O futuro do jornalismo… minha visão

O sistema, o perfil das comunicações, sejam em quais plataformas se processem, está mudando com extrema velocidade. Todos que operam nesse segmento sabem muito …

O sistema, o perfil das comunicações, sejam em quais plataformas se processem, está mudando com extrema velocidade. Todos que operam nesse segmento sabem muito bem, ou por vivência própria ou por informações. No entanto, é importante sim que se discuta as questões tecnológicas, que são fundamentais para bom desenvolvimento de produtos, adequação de sistemas, agilidade, economia, alcance etc e tal. Recentemente a RBS, ao comemorar os 52 anos de Zero Hora, realizou um seminário no qual destaca os fundamentos do bom jornalismo, as regras, a ética e outras questões. Talvez tenha faltado abordar um tema importante e que, acredito, vive um momento crucial no Brasil: as ideologias e o jornalismo.

Na minha visão, estamos vivendo um verdadeiro divisor de águas: os leitores, telespectadores, ouvintes e navegadores da internet já demonstraram que tipo de imprensa ou jornalismo desejam: aquele que estiver ao seu lado, ou ao lado dos seus preferidos, pelo menos no que se refere à política. Desta forma, acredito que, passado o período crítico do julgamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff e os desdobramentos da Operação Lavajato, teremos uma imprensa diferente. Muito mais por pressão de quem consome do que por quem oferece o produto.

Os consumidores vão ser seletivos e escolher quais produtos consumir e fazer cada vez mais críticas por meio das redes sociais que, democraticamente, aceitam tudo. Caberá a quem delas fizer uso, ser seletivo para acreditar no que vai ler, ver e ouvir. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, diz o ditado, mas será difícil para quem sair perdendo neste processo, continuar acreditando em alguns veículos – não vou citar nenhum especificamente aqui, mas basta ver as manifestações nas redes sociais para se ter uma ideia.

Desta forma, caberá aos veículos, principalmente as grandes redes, avaliar este novo mercado e definir sua forma de atuação. Penso que, em breve, teremos jornais segmentados por ideologias, políticas e econômicas, como já ocorreu no passado e em outros países, de forma mais clara, e por aqui, veladamente. Há os que apoiam um ou outro tipo de regime conforme o tempo: a maioria rende-se ao poder econômico, seja em busca de benefícios indiretos ou pelo volume de publicidade colocada à disposição.

Não quero ser pessimista ou visionário, mas se houve algum dia uma imprensa livre, mesmo de forma mascarada, nem essa vai existir. Teremos no futuro mídias engajadas, comprometidas com partidos, setores da economia etc. Por sinal, estranhei que, depois de tanto tempo no poder, o PT não quis, não conseguiu – ou porque não tentou – implantar uma rede de comunicação forte que pudesse fazer a defesa dos seus interesses. Talvez tenha preferido investir de outra forma, mas não seu deu conta que quem visa lucro também muda de ramo quando a maré está em baixa.

É triste pensar, e até mesmo ter a possibilidade de acreditar em tudo o que está acontecendo. Mas que o ensaio é real, isso é.

Autor

Julio Sortica

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