Darfur não freqüenta os noticiários com a freqüência necessária. O chamado “público em geral” nem sabe o que é Darfur que, no entanto, tem sido palco de um genocídio que já dura mais de três anos. Localizado no Oeste do Sudão, a região tem sido alvo de bombardeios aéreos constantes, complementados por ataques terrestres destinados a deixar o mínimo possível de sobreviventes. O número de mortos, de acordo com a ONU, passa dos 200 mil. Estimativas menos otimistas indicam que se aproxima do meio milhão. As Nações Unidas e os EUA reconhecem a limpeza étnica, mas não têm despendido tempo e energias para conter a matança promovida pelo regime fundamentalista de Cartum. Preferem deixar a missão a cargo da União Africana, que designou entre 3 e 7 mil soldados para a tarefa, um efetivo irrisório para a situação.
A pretexto de combate à guerrilha, a Força Aérea sudanesa e a Janjaweed, a milícia oficial, não dão trégua na chacina. Mais de dois milhões de zurgas, termo pejorativo usado pelos opressores, tiveram de deixar suas casas, sendo que 500 mil deles se refugiaram no vivinho Chade, um dos países miseráveis do mundo. Muitos morrerão de fome. Os que ficaram em Darfur morrem à média de 20 mil por mês, assassinadas ou de fome.
Neste ritmo, o genocídio talvez acaba nos próximos anos por falta de vítimas. Darfur tem uma área semelhante à da França e uma população entre 5 e 6 milhões. Os Estados Unidos têm feito vistas grossas, a exemplo de outras potências ocidentais, como a Inglaterra e a França, por causa do abundante petróleo do Sudão. Uma razão suplementar para o silêncio americano seria a suposta colaboração do regime de Cartum na busca por Osama Bin Laden e outros membros graduados da Al Qaeda. A ONU aprovou em setembro uma resolução segundo a qual 17 mil soldados de sua força de paz substituiriam os da União Africana. O governo sudanês rejeitou a idéia. Para o presidente Omar al-Bashir, trata-se de “uma conspiração para confiscar a soberania do país”. O impasse continua. O massacre também.

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