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O jeitão de enfrentar esses diast

Um dos grandes desafios nos dias de hoje, mesmo antes de qualquer pandemia, é manter o foco e a atenção sobre uma ou mais coisas que de fato sejam importantes. Como se sabe, o mundo de estímulos é cada vez maior e de aparentes interesses das pessoas idem. 

Aquela angústia, a FOMO, se intensificou e muito em tempos de pandemia, aí sim. Isso porque além de todos os estímulos e demandas que havia, surgiram novos, como o próprio Covid-19, vacina, efeitos, cuidados, mortes, indicadores em geral. Junto com isso, uma necessidade de saber mais sobre a economia, o efeito mundial e local da pandemia sobre empregos, renda, consumo, comportamentos, futuro. E mais ainda: usos da tecnologia, de forma muito rápida e intensa, para a realização seja de reuniões de trabalho, seja em reuniões com amigos e família.

Só por esse quadro já se pode ficar um pouco cansado. Ou mais do que cansado, exausto e ansioso. Ou até deprimido, como tem sido bastante comum em grande parte dos países. Ah, sem dúvida a total incerteza do que virá (ninguém, eu disse ninguém, consegue acertar mesmo o que está por vir. Pode-se fazer algumas estimativas, projeções, pode-se fazer torcida a favor, mas ninguém sabe por uma razão simples: ninguém tem condições de saber), o incerto novamente assustando os seres humanos, nesse caso transformado em medo.

Então, por tudo isso, tá feia a coisa. Mas não sem saída, aí que está. Eu não disse que a saída ou as saídas são fáceis. Disse que existem. Mas elas variam muito, muito mesmo, de pessoa para pessoa, tanto por seu perfil, história de vida, momento financeiro, estabilidade ou não emocional, tudo isso impactando em como encontrar a saída e se vai demorar mais ou menos.

Aqui, a ideia é dar passos de bebê, baby steps. Não se preocupar em uma única transformação radical e mágica, que nesse cenário todo não existe. Mas em ir implementando e refletindo sobre tudo o que está acontecendo e como isso está afetando você. Ir tentando separar do que é ou possa ser verdade(sempre checando com veículos de informação confiáveis ou outras fontes idem), não se valendo de grupos de Whatsapp, publicações em redes sociais, informações de conhecidos. Se for considerar informação dessas fontes, importante entender qual o perfil da pessoa ou das pessoas que estão tentando disseminar aquela “informação”: se é ansioso, depressivo, se acredita em tudo, se está muito assustado com a pandemia, se divulga tudo que aparece como verdade, tudo isso e mais.

Ir dissecando as informações que chegam. Analisando, tentando impor um comportamento o mais frio quanto possível. Frio não no sentido de que as coisas não afetem você, mas no sentido de ser mais analítico. Mais sensato. Sei que falar nessas coisas parece um pouco piada de mau gosto no momento, mas é indispensável.

Uma rotina diária de higiene mental é absolutamente necessária. Prefiro a meditação, mas pode ser outra forma, desde que envolva um momento de estímulo à calma e à reflexão. Um momento só seu, sem angústia imediata com o tempo(se precisar acordar meia hora mais cedo, faça isso), sem mensagens entrando no celular, sem (de jeito nenhum!) mídias ligadas. Momento off, total. 

Fundamentalmente, busque também exemplos, modelos. Pessoas que estejam te contagiando pela postura serena, mesmo diante da tempestade. Porque a tempestade não muda se ficarmos agitados, muda de acordo com a nossa avaliação serena de tomar as providências baseado em reflexão, análise, mesmo que sejam providências imediatas. 

Alguns dirão que isso funciona para mim, mas não quer dizer que funcione para todos. Verdade. Mas não me baseio somente na minha experiência nessa pandemia. Mas sim de inúmeras conversas e análises, leituras, interações com aqueles que me pareceram o mais próximo possível de alguma saúde mental. Foi daí que saiu essa reflexão/guia. Pode não funcionar para você? Pode, mas que tal experimentar antes de descartar? Aceitamos tanta coisa inútil ao longo da vida, que tal usar essa maneira e ver se ela serve para você? Se ao final da realização desse processo entender que foi inútil, aí sim pode me xingar. Mas eu contraponho: a intenção aqui é a melhor possível, para que todos possam atingir um patamar de melhora, a possível.

 

Autor

Flavio Paiva

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