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O mercado da Copa do Mundo

A África adotou o futebol como uma espécie de obsessão há muito tempo. O objetivo da Fifa esta vez não foi a de levar …

A África adotou o futebol como uma espécie de obsessão há muito tempo. O objetivo da Fifa esta vez não foi a de levar o futebol para a África. Mas sim o de levar o mercado sob a forma de seus patrocinadores multinacionais para o futebol da África. Isto mesmo, embora a África do Sul privilegie os campos de criket e rugby – interesse dos brancos –, relegando o futebol aos bairros como Soweto, onde moram os pretos. “Mas com sua reivindicação, de levar a Copa para seu país, fez com que mudasse de ótica para 2010. Estádios foram construídos, estradas pavimentadas”, registra Golblatt, autor de “A bola é redonda. Uma história mundial do futebol”.

A Fifa obtém quase toda a sua renda da Copa do Mundo. Os direitos de transmissão em TV rendem cerca de US$ 2 bilhões e o patrocínio corporativo US$ 1,2 bilhão. Os patrocinadores locais vão até US$ 50 milhões. Cerca de US$ 1 bilhão disto vai para as despesas da Fifa, custos de produção televisiva e prêmios em dinheiro. E os outros US$ 2,2 bilhões ficam para torneios menores, enquanto o restante fica com a Fifa para fazer o que ela quiser.

É claro que a Copa do Mundo é mais do que um simples evento esportivo. Afirma der Spiegel: “Políticas atuais e de desenvolvimento sem dúvida também desempenham um papel nisto tudo. Mais recentemente, o futebol tem sido retratado como súbito pacote global de auxílio”. Um projeto foi elaborado pela Fifa com o objetivo se trazer para a África infraestrutura, equipamentos e cursos de treinamento dos quais o continente necessita para criar ligas e clubes de futebol”.

Der Spiegel chama Joseph Blatter de “ambicioso presidente da Fifa” e afirma que está mirando o Prêmio Nobel da Paz. Seja numa cidade próxima ao Cabo, seja no concerto da abertura da Copa, aproveita toda a oportunidade política para enfatizar o efeito benéfico da Fifa. Esta destina apenas 0,7% de suas verbas a causas sociais. Mas Blatter fala constantemente a respeito da suposta missão da Fifa, que seria a de “modelar um futuro melhor”. Mas ele se preocupa realmente com a África ou com sua própria imagem? (Com subsídios do livro “A bola é redonda. Uma história Mundial do Futebol”, de David Goldblatt).

Autor

Iara rech

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