Uma das pessoas que tornou visível uma forma do belo que vou abordar aqui foi o filósofo Aristóteles, que dentre outras coisas ficou conhecido por ser discípulo de Platão e preceptor de Alexandre o Grande, mas fundamentalmente pelo seu pensamento. Aqui, vou tomar emprestada a sua visão sobre o belo.
Para ele, o belo estava ligado a uma ideia de proporção entre as partes, à grandeza e à harmonia das partes em relação ao todo. Ou seja, um conceito muito próximo do equilíbrio. Que aliás, foi (e é) incansavelmente buscado por filósofos e pensadores ao longo dos séculos.
Mas voltando ao belo de Aristóteles, se tomarmos por equilíbrio, vivemos em um mundo verdadeiramente muito feio. Não há harmonia nas partes, nos processos, nas coisas e falta a muitas das pessoas por aqui, nesse mundo.
Claro, existe um risco de o pensamento de equilíbrio ser corrompido por conservador, o que numa certa medida o é, se tomarmos de forma inadequada. Porque, como a maioria dos conceitos, retrata uma situação ou processo em um determinado local e momento. Se nos ativermos exclusivamente a ele, podemos não dar espaço à inovação e à criatividade. Então, seguindo agora a minha linha de raciocínio, isso quer dizer que a criatividade e a inovação são feios?
Certamente que não. Eles têm sim, um desassossego, uma desacomodação, e isso pode parecer feio. Nos tira da zona de conforto, podemos inclusive estranhar e pode, mesmo que seja uma inovação sensacional, nos demandar esforços tanto para compreender quanto para aplicar. Portanto, se pegarmos esse viés tortuoso, assumiríamos que o inovador seria “feio”.
Mas aí vem a parte da beleza. Essa movimentação, esse tirar da zona de conforto, pode nos levar a uma situação muito melhor, mais agradável, desenvolvida, prazerosa, conseguindo fazer expandir a nossa consciência e percepção das coisas. Agregando também uma visão de mundo a partir de um prisma(pelo menos um) totalmente diferente. E esse processo e seu resultado é dotado de uma grandeza, de um crescimento impressionante. Sendo inovação consistente, trata da construção de uma nova obra.
Portanto, se voltarmos a Aristóteles e seu conceito de beleza, ele fala (de acordo com a minha livre tradução) em um equilíbrio. E então, mesmo tendo passado por um período inovador, de desacomodação das coisas, ele vai se tornando mais equilibrado. Discordo de quem afirma que a inovação é a regra, pois uma vez que ela seja a regra, perde uma parte da sua própria inovação. Passa a ser um processo de uma certa forma previsível. Sim, alguns leitores podem dizer que eu estou forçando uma interpretação do processo de inovação para tentar encontrar mais tranquilidade ao longo da realidade atual. Pode até ser, mas não faço isso de caso pensado, como se diz. Eu realmente acredito nisso.
Já a criatividade é fantástica. Um dos maiores ativos existentes e com um potencial absurdo dos seres humanos. Que se dividem em mais ou menos criativos e, como é sabido, são mais ou menos criativos tanto por fatores genéticos, mas por repertório, experiências e vivências, conhecimento e até uma certa dedicação a ser mais criativo. Além da maneira com que o indivíduo foi criado, em um ambiente com quais valores, cultura, etc. Porém, como a criatividade se impõe muitas vezes, podemos ter todos esses pontos fracos, ou seja, um indivíduo com pouco repertório, experiências e vivências, pouco conhecimento (aqui me refiro mais ao conhecimento formal), mas muita sensibilidade.
A sensibilidade pode fazer de uma pessoa criada em um ambiente com baixo nível de estímulo uma pessoa criativa. Na realidade, a criatividade é um dos temas que ainda estão com pouca iluminação dentro da caixa preta da mente do ser humano(a meu favor: antes que os neurocientistas, pesquisadores, psiquiatras, psicólogos e demais pessoas ligadas ao estudo dos processos da mente me digam que esta não é mais uma caixa preta, concordo. De fato não é e os estudos avançaram muito rapidamente nos últimos anos, colocando muita luz. Quando falo em caixa preta não me refiro à totalidade da mente, mas ao que resta não totalmente explicado ou entendido nela).
Para concluir, espero ter conseguido produzir um momento para você, leitor, de beleza, desassossego(pela reflexão sobre o assunto, se esteve comigo ao longo das linhas), criatividade, quem sabe expansão da consciência(embora me pareça um pouco pretensioso da minha parte) e talvez, questionamento. Se tudo isso aconteceu, para mim o texto foi belo. E belos dias para você.


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