Na última semana, a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) divulgou seu recente relatório sobre o desempenho da economia dos países da América Latina e Caribe. Salva-se o Brasil, com um crescimento previsto de 3,5% em 2010. Mas ainda passará um bom pedaço com uma retração prevista em 0,8% este ano. A Cepal é um organismo da ONU, criado em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os países-membros. Dele fazem parte ainda o Canadá, França, Japão, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Itália e EUA.
Um de seus economistas, o brasileiro Celso Furtado, coordenou ações do organismo em conjunto com o então BNDE, para elaboração de um estudo conhecido como um “Esboço de um programa de desenvolvimento para a economia brasileira para o período de 1955 a 1960”. O estudo forneceu a base para o Plano de Metas, que não efetivou uma de suas principais ferramentas, a reforma agrária.
Para o restante da América Latina e Caribe, as previsões do relatório são mais sombrias: devem ter uma queda de 1,9% do Produto Interno Bruto e aumento do desemprego em 9%. Mas o estudo traz um alento. Para o ano que vem, a Cepal prevê resultados positivos.
De acordo com o relatório, a economia regional está sendo afetada pela queda nas exportações. Países desenvolvidos reduziram suas importações frente ao mesmo período do ano passado. As remessas do exterior também caíram, estimando-se em 40%. Afirma que a recuperação econômica da região poderia começar ainda no segundo semestre de 2009, apesar de partir de níveis muito inferiores aos de 2008.
Entre as economias de pior desempenho estão a do México, com a estimativa de queda de 7%, e do Paraguai e Chile, ambos com redução de 3%. A economia chilena se ressentiu este ano pela suspensão dos envios de gás natural pela Argentina e da alta dos combustíveis e alimentos. E principalmente da redução de preços de sua principal commodity, o cobre.
Retração americana será menor
É o que afirmou o Federal Reserve (Banco Central Americano), em relatório divulgado na última semana. É que se espera uma recuperação no segundo semestre graças às medidas já tomadas (socorro às empresas, queda de juros). De acordo com projeções na ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market, equivalente ao Comitê de Política Monetária do Brasil), a economia americana deverá sofrer uma contração entre 1% e 1,5%. As projeções anteriores, divulgadas no último mês, previam entre 1,3% e 2%.
Segundo o FED, em 2010 a economia americana deve apresentar um crescimento entre 2,1% e 3,3%. As análises menos recentes indicavam índices entre 2% e 3%. “Aparentemente, a atividade econômica está se estabilizando e a melhora considerável nos mercados financeiros nos últimos meses provavelmente ajudará dar apoio à demanda”, diz o documento. As previsões otimistas, no entanto, não se aplicam ao emprego. No último mês de junho, o desemprego ficou em 10,1%, e em julho deve ficar acima deste índice. E os índices de desemprego devem continuar altos em 2011.

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